
Em tom de calculada falsa modéstia, ele contesta, entre risos: "É mentira. Nada disso. Foi meu pai [o médico Julio Iglesias Puga, falecido em 2005] quem comprou quase todos esses discos". Quem diz é o cantor espanhol Julio Iglesias, quando indagado a respeito da extraordinária vendagem de seus 77 álbuns são mais de 300 milhões de cópias em 40 anos de carreira.
O artista falou com a Gazeta do Povo direto de sua casa em Miami (EUA), onde mora com a mulher, a ex-modelo holandesa Miranda Rijnsburger, e os seis filhos do casal, com idade entre 2 e 11 anos. Esbanja vitalidade e bom humor: é uma metralhadora verbal, mal dando tempo ao jornalista para formular suas perguntas.
No próximo sábado, dia 21, Julio sobe ao palco do Teatro Positivo para passar sua carreira em revista. Ele volta à cidade depois de se apresentar, há um ano, no Clube Curitibano. Quando ouve o nome da capital paranaense, o artista se derrama em elogios: "Adoro Curitiba. É a cidade mais moderna do Brasil, aristocrática, disciplinada. Falam de Brasília, mas não concordo".
Sobre o show, comemorativo a quatro décadas de estrada, que somam mais de 5 mil apresentações em todo o mundo, ele não revela muito. "Vou cantar meus grandes sucessos e tenho algumas surpresas. Em cada país, reservo algumas músicas do cancioneiro local." Quando o jornalista insiste em saber quais serão, ele cantarola o hit "Mal Acostumado", do grupo Araketu, e engata: "Adoro música baiana".
Fã da axé music, Iglesias é romântico até a medula. Nove em cada dez canções de seu amplo repertório falam do assunto "amor". E esse lado passional, que transborda quando canta, também vem à tona quando tenta explicar por que. aos 65 anos, continua com a agenda lotada e se apresentando mundo afora, viajando sempre a bordo de seu avião particular. "Acho que gosto mais com combustível do que ganho com os shows. Eu sou um apaixonado. Canto para viver, para não morrer. Quando estou no palco, sou jovem."
Pai de oito filhos, entre eles o pop star Enrique Iglesias, de 33 anos, Julio diz que, por conviver com jovens e crianças, acaba ouvindo todos os gêneros. Mas faz questão de acrescentar que "música, não importa qual, tem muitos dos mesmos elementos". "Isso é claro para quem trabalha com isso. Há elementos que se repetem, essenciais." Aficionado por pintura, o cantor recorre à arte para embasar seu ponto vista: "Há diferenças entre os trabalhos de grandes mestres, mas também semelhanças. O uso das cores e as pinceladas em Van Gogh, a explosão de traços, formas e ainda mais cores em Miró. Não se parecem, mas se interligam de alguma forma".
Para dar conta de tantos compromissos profissionais, viagens e filhos, Iglesias hesita ao tentar explicar de onde vem tamanha energia. A voz, diz ele, procura poupar durante as turnês, falando pouco. "Por isso, faço as entrevistas antes." Mas e o resto? Como mantém-se bem disposto, atlético? "Faço amor, muito amor. É claro que não da mesma forma que fazia antes. Quando tinha meus 44 e poucos anos, só transava de pé, na vertical, tinha energia demais. Hoje em dia é diferente."
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Serviço
Julio Iglesias. Teatro Positivo (R: Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300). Dia 21 de março (sábado), às 21h30. Ingressos à venda pelo Disk Ingressos Call Center (41) 3315-0808 ou nos quiosques Disk Ingressos em Curitiba (shoppings Mueller, Curitiba e Total) ou São José dos Pinhais (Shopping São José) e nas bilheterias do Teatro Positivo. Os ingressos de inteira custam de R$ 220 a R$460. Meia-entrada para estudantes, doadores de sangue, pessoas acima de 60 anos e professores. O desconto não é cumulativo.



