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A Pedreira Paulo Leminski está lotada, Axl e Slash estão juntos novamente, Rafael Greca é prefeito de Curitiba. Por um momento é 1992 novamente. Com 35 minutos de atraso, o Guns N’ Roses sobe ao palco em Curitiba diante de um público já impaciente. Mas a espera vale pena. Fogos de artifício explodem sobre a cabeça de mais 20 mil pessoas — talvez o maior número de pagantes da história da Pedreira. Três telões mostram Axl de calça jeans rasgada e camisa xadrez na cintura, Duff com a indefectível jaqueta de couro e Slash aparentando não ter envelhecido um dia sequer desde 1993.

O show começa com ‘It’s So Easy’. Axl manda agudos ousados. Slash e Duff solam os instrumentos. A reunião que não iria acontecer “nunca nesta vida” tem dado muito certo — na bilheteria e no palco. O fato dos integrantes do grupo estarem sóbrios há anos só ajuda o som, mais do que competente.

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Slash é um show dentro do show. Seu carisma empolga o público, dividido entre os fãs da velha guarda da banda e adolescentes, de telefone celular em riste, filmando tudo. Não importa, as duas tribos amam o guitarrista. Com ele e com Duff até as músicas novas, como ‘Chinese Democracy’, do álbum homônimo, ficam melhores.

Axl corre pelo palco como louco, relembrando os velhos, bons (e novos?) tempos. De chapéu e voz chorosa, arrisca os agudos da época em que era o “melhor vocalista de Hollywood”. A grana, a sobriedade, os velhos amigos, o AC/DC, seja lá o que for — ou tudo isto junto — fez muito bem para sua voz.

No cover de “Live and Let Die”, de Paul McCartney, Curitiba canta junto com o vocalista. É um dos pontos altos da apresentação. Emenda grandes canções do rock’n’roll: “You could be mine” e “I used to love her”. Outro clássico do Guns. A letra era sobre o sacrifício de uma cadelinha, mas serve para qualquer fim de romance. Como de costume, há o riff de “Sweet Child O’Mine”. A música foi feita em cinco minutos e já tem mais de trinta anos.

Axl apresenta a banda e deixa Slash por último. O guitarrista faz seu número: um longo solo em sua Les Paul que termina no tema de “The Godfather”. Dez mil celulares filmam a cena. Este é o Guns N’ Roses em 2016.

Depois do petardo “Night Train”, o Guns faz uma pausa antes do bis. Um grande show de uma banda competente com um balaio de sucessos e ótimas músicas. Mistura de vigor e nostalgia. Lotada como nunca desde sua reabertura, a Pedreira aprova um show com pouca pirotecnia, mas com muita música e carisma.

Com ‘Paradise City’, o Guns N’ Roses fecha em grande estilo sua segunda passagem por Curitiba. Desta vez a banda veio fortalecida por Duff e Slash, que casaram perfeitamente com a ótima cozinha do Guns e um Axl em surpreendente grande forma.

A reunião pode ser chamada de oportunista e caça-níquel — é o projeto mais rentável do ano do showbiz. Mas também é um espetáculo de primeira, em que banda e plateia se divertiram na mesma medida. Valeu Guns, até a próxima.

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