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Trombone de Frutas na Arnica Cultural: mão na massa. | Antônio More/Gazeta do Povo
Trombone de Frutas na Arnica Cultural: mão na massa.| Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

A banda curitibana Trombone de Frutas faz o show de estreia de seu segundo álbum neste domingo (7), na Arnica Cultural. O lançamento de “Chanti Alpïsti”, sucessor de “Chanti, Charango?” (2014), acontece “em casa”: o Arnica é um espaço cultural criado e administrado pelo próprio grupo, que opera desde fluxo de caixa até pintura de parede e aplicação da brita branca no vasto quintal nos fundos do imóvel, localizado na Rua Otelo Queirolo, no Bigorrilho.

O lugar foi pensado para ser um QG da banda, mas também como uma base para a música independente em Curitiba (para usar termos que têm a ver com as ações de “guerrilha” que estão entre os métodos desta cena).

Autossuficientes

João Taborda é baterista, mas também o agenciador da banda, “social media” e o assessor de imprensa responsável por todos os contatos que terminaram com esta reportagem. Rodrigo Chavez é baixista e o componente do grupo que fala em metas e capitalização, enquanto Lauro Ribeiro (trombone), Marc Olaf (piano, flauta transversa, sanfona) e Conde Baltazar (voz) parecem mais à vontade para falar dos conceitos do inventivo trabalho do Trombone de Frutas, que existe desde 2011.“Queremos ser cada vez mais autossuficientes na nossa produção”, projeta Chavez.

A intenção é que o espaço, que também vai ter um estúdio de gravação e produtora, se torne um ponto de passagem “obrigatório” para bandas independentes de outros lugares do país, e consequentemente um ponto de troca de informações sobre estratégias de autoprodução –aventura que ainda não tem rota certa.

Foi assim, por sinal, que ficou mais claro o projeto da Arnica, que eles definem como “movimentadora”. Em 2015, o Trombone de Frutas fez na Argentina uma destas turnês em que a melhor das hipóteses é “empatar”. Lá, encontrou várias “arnicas”. “A galera se juntava, fazia as tortas salgadas, vendia a bebia. Como fazemos aqui”, conta Chavez.

Serviço

Trombone de Frutas – Lançamento “Chanti Alpïsti”

Arnica Cultural (R. Otelo Queirolo, 237 – Bigorrilho). Dia 7, às 15 horas (abertura da casa). Show às 19 horas. R$ 15.

Além de sediar os próprios shows e servir de palco para bandas independentes que estão na estrada, eles também falam em projetos como o Cineclube Arnica – o telão é um espaço em branco deixado no mural feito por Rimon Guimarães e outros dos vários colaboradores da Arnica Cultural. “Uma coisa que aproxima as pessoas é ver que quem está na lida somos nós”, diz Conde Baltazar.

Também há a ideia de fazer um evento de conscientização para a causa dos refugiados de guerra e a feira de adoção de animais da Pinduca – nome da cadela adotada que mora na Arnica. “Temos um público interessado em escutar o que a gente diz. Queremos aproveitar esta força para dizer coisas que interessam”, diz Chavez.

“Chanti Alpïsti” mostra lado mais introspectivo da banda

Conhecido por performances festivas e coloridas, o Trombone de Frutas ficou associado com dança, diversidade de referências e irreverência. Estas coisas fazem parte do universo musical e da postura dos próprios músicos, e ressurgem no novo trabalho do grupo principalmente em faixas como “A Missa” e “São Gonçárabe”. O Trombone continua misturando com facilidade rock, música latina, árabe e folclore do Nordeste.

Mas, em “Chanti Alpïsti”, a banda apontou para outro rumo, que tem mais a ver com “Três imagens” – canção mais doce, introspectiva e com sonoridade mais sóbria, que já fazia parte do repertório dos shows. “Ela deu um direcionamento para a sonoridade deste disco”, diz Conde Baltazar, autor da maioria das canções. O Trombone está soando mais simples e melódico, mais influenciado por linguagens como a do pós-rock, de onde também podem vir as rítmicas incomuns usadas pelo grupo.

A banda conta que a participação de Maycon Ananias, coprodutor de “Chanti Alpïsti” ao lado do próprio grupo, também ajudou a definir o que eles consideram uma maturação do som. O produtor ajudou a “polir” os arranjos, deixando toda a conversa entre os seis integrantes mais clara e bem resolvida.

O resultado é uma música simples, com algumas estranhezas, como define Marc Olaf. “Geralmente testamos ideias estranhas, porque elas fazem parte da nossa estética. No entanto, as músicas são acessíveis e qualquer pessoa poderia se identificar com elas”, explica. “[Nossa música] tem este aspecto de contemplada com facilidade, mas ao mesmo tempo tem algumas ‘agulhadas’ propositais, para atiçar.”

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