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Audiovisual

Músicas para o cinema mudo

Projeto Cine-Re-Sonar resgata filmes realizados entre 1920 e 1940 e os reapresenta com trilha sonora contemporânea

Praça Generoso Marques, em 1936: cena do Zeppelin sobrevoando a cidade | Acervo da Casa dda Memória
Praça Generoso Marques, em 1936: cena do Zeppelin sobrevoando a cidade (Foto: Acervo da Casa dda Memória)

Em uma noite do inverno de 1928, famílias saíram às pressas de suas casas. Era a neve que chegava, atração rara que cobriu de branco a ainda pequena Curitiba. O fato foi filmado e o registro permaneceu guardado, "em silêncio", no acervo da Cinemateca até há pouco tempo. O músico Valdemar Lacerda Schet­tini Júnior (Vadeco) resgatou essa e outras películas que remetem à Curitiba das décadas de 1920, 1930 e 1940. Mas não é só isso. Os filmes, mudos e em preto e branco, ganharam roupagem moderna com a trilha sonora criada pelo com­­positor e instrumentista Vadeco e outros seis músicos, que se apresentam ao vivo enquanto parte da memória de Curitiba e do Paraná é exibida no Teatro da Caixa, desta quinta até domingo.

É intrigante a ideia do projeto Cine-Re-Sonar, pioneiro no Brasil. Imagens captadas por desbravadores do cinema paranaense, como Luis Baptista Groff, Annibal Requião e João Botelho, foram remasterizadas e editadas em uma projeção de 40 minutos. A trilha sonora inédita, que acompanha as imagens, será executada ao vivo, como acontecia nos cinemas nas primeiras décadas do século passado.

"O objetivo é sensorial. Não é show de banda nem exibição de filme. É um espetáculo no qual os músicos não aparecem para não brigar com as imagens. Mas haverá algumas surpresas", adianta Vadeco, também sound designer e autor das trilhas sonoras dos longas O Poeta e Brichos, entre outros.

Além da neve de 1928, a passagem do dirigível alemão Zeppelin pela cidade, em 1936, também está retratada nas imagens coletadas por Vadeco. Outras cenas envolvem o cotidiano da Curitiba, como passeios pela Rua Quinze de Novembro ou closes de pedestres, com suas cartolas na cabeça.

"No material bruto, encontramos películas que não tinham sido telecinadas [telecinagem é o processo que reverte a película de cinema em sinal de vídeo] e demos uma razoável restaurada no que já havia passado por esse processo", explica Vadeco.

Miscigenação

"Escondidos" atrás de uma grande tela, Jorge Falcón (guitarras e violões), Vina Lacerda (percussão), Fábio Cardoso (piano), Iriz Knopfholz (violino) e Thomas Jucksch (violoncelo) – além da participação especial de Jr. Tolstói –, irão interpretar as músicas, totalmente inéditas e, segundo Vadeco, de caráter minimalista e com muitos efeitos so­­noros.

"O espetáculo é uma mistura de música instrumental com rock, música eletrônica e outras influências minimalistas. O objetivo era juntar essas linguagens com outras antigas para resgatar o que se fazia na época e se aproximar de uma possível música que fosse exe­­cutada em cinemas hoje", conta o idealizador do projeto.

O resultado final gerou 40 mi­­nutos de música, dividida em oito movimentos. Segundo Vadeco, são temas independentes, com ima­­gens que serão distribuídas e separadas entre si como se fossem oito clipes. O diálogo entre a imagem datada e a música contemporânea pode ser o grande trunfo do Cine-Re-Sonar.

"Miscigenar o público é minha grande expectativa. Espero que o senhor que viveu parte daquela história se interesse e vá à exibição, mas também o seu filho, que pode se interessar pela música."

Serviço

Cine-Re-Sonar. Teatro da Caixa (R. Cons. Laurindo, 280), (41) 2118-5111. De 26 a 28 de novembro, às 21 horas. Dia 29, às 19 horas. Ingressos: R$ 10 e R$ 5.

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