Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Música

Na estrada, na cidade e no baile black

Em seu novo disco, Romances Urbanos, o soulman Hyldon reaparece em grande forma e antenado

 | Divulgação
(Foto: Divulgação)
Anos 1970: sucesso com

1 de 4

Anos 1970: sucesso com

Compondo com os rappers Dexter e Mano Brown |

2 de 4

Compondo com os rappers Dexter e Mano Brown

Ao lado de Zeca Baleiro, amigo e principal parceiro atual |

3 de 4

Ao lado de Zeca Baleiro, amigo e principal parceiro atual

CD - Romances Urbanos - Hyldon. Sony Music. Disponível para download no i-Tunes ou pelo site www.hyldon.com.br. US$ 7,99 (cerca de R$ 19) |

4 de 4

CD - Romances Urbanos - Hyldon. Sony Music. Disponível para download no i-Tunes ou pelo site www.hyldon.com.br. US$ 7,99 (cerca de R$ 19)

Na ativa há quase 40 anos, o ícone do soul brasileiro Hyldon diz estar "ligado em tudo o que está rolando" no atual momento da música nacional. "O artista tem de ser atemporal. Não pense que eu não sei usar internet, pesquisar e me informar", disse, em conversa com a Gazeta do Povo.

VÍDEO: Veja o vídeo da música "Foi no Baile Black" parceria de Hyldon, Mano Brown e Dexter que está no álbum "Romances Urbanos"

Essa conexão com sons e linguagens reflete em sua vida pessoal: "Tenho saído mais, ido a shows. Minha filha [a rapper MC Yasmin] me leva nas rodas de rima". E também na carreira, como comprova uma audição de seu novo disco, Romances Urbanos, primeiro álbum de inéditas desde 2009.

O soulman se mostra renovado no ofício que domina como poucos: baladas cheias de suingue e petardos dançantes que custam a sair da cabeça depois de ouvidos pela primeira vez. Porém, o disco passeia à vontade por outros estilos e dialoga com novos nomes da cena musical brasileira. O resultado é o melhor trabalho do artista em muitos anos.

Hyldon explica que o "disco tem um roteiro": como num filme ou num romance, as doze músicas vão contando a trajetória de um cara que chega à cidade e se envolve em vários romances, enquanto frequenta festas de subúrbio, festinhas de playboy e bailes black", resume.

Nas faixas, Hyldon divide as composições com parceiros de origem e geração diversas: Zeca Baleiro, Mano Brown, Arnaldo An­­tunes, Léo Cavalcanti, Jorge Vercillo e Céu.

"Parceria é bom por dois motivos: primeiro para ter uma pessoa para cobrar. E porque cada música traz uma situação diferente – uma coisa é fazer o texto sozinho; em dupla, ou trio, é outra viagem", explica. Nesse processo, o músico destaca a parceria cada vez mais recorrente com Arnaldo Antunes ("Tempo, Tempinho, Tempão"). "É sobre como o tempo passa em compassos diferentes nas cidades. Sua relatividade", filosofa.

Hyldon conta que adora fazer música na casa do ex-Titãs. "Lá tem um sabiá muito gordo que canta pra caramba. Ele me explicou que os pássaros são obesos porque comem a ração do cachorro", diverte-se. "Quando a gente termina uma música, comemoramos, nos abraçamos como quem faz um gol. Precisava filmar isso um dia desses", sugere, acrescentando: "O processo de criação é muito louco. Você começa do nada, com aquelas sete notas, e já com um universo de zilhões de músicas. É um grande exercício de originalidade e criatividade."

Outro destaque do álbum é "Foi no Baile Black", composta ao lado dos rappers Dexter e Mano Brown. A música (com cara de hit) vai estar também no disco solo que o líder dos Racionais MC´s deve lançar neste ano. "Nós [artistas da música negra brasileira da década de 1970] somos referência para essa geração. Eles nos escutaram e samplearam muito", orgulha-se.

A música foi feita após um longo dia, que incluiu shows de Hyldon em uma penitenciária de Guarulhos, com Dexter, e no Capão Redondo, reduto de Brown. Após a empreitada, o trio começou a falar dos bailes de música black que rolavam no Rio e em São Paulo nos anos 1970 e 80. "A melodia do refrão é a própria musicalidade que existe na maneira do Mano Brown falar."

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.