Após atuar na novela Da Cor do Pecado (2004/ 05), o ator Caio Blat viu-se na inédita situação de não ter seu contrato renovado na Rede Globo. Mas o afastamento da telinha acabou sendo benéfico para sua carreira no cinema, levando-o a aceitar os vários convites que havia recebido para atuar em longas-metragens. Em um ano, ele acabou participando de quatro produções, que coincidentemente foram finalizadas e lançadas neste ano em festivais ou nas salas de cinema. "Tomei um susto com a saída da TV, mas depois foi tudo perfeito. É uma grande sorte todos os filmes que fiz estarem saindo mais ou menos ao mesmo tempo", diz Blat, que conversou com o Caderno G durante o Festival de Brasília 2006, onde acompanhou a primeira apresentação de dois das fitas que estrela: Baixio das Bestas, de Cláudio Assis, e Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton.
No segundo polêmico trabalho do diretor de Amarelo Manga, o ator vive um jovem alienado de classe média. Já na produção de época do mineiro Ratton, baseada no livro homônimo do Frei Betto, Caio interpreta o importante papel do frei Tito, que participou da luta armada contra a ditadura brasileira. Blat viveu um guerilheiro, outro personagem relacionado ao período ditatorial, em O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, já em cartaz nos cinemas. Completando o quarteto de filmes, ele intepreta um engajado estudante de Medicina no elogiado Proibido Proibir, de Jorge Durán.
Personagens bem diversificados entre si, que foram construídos de maneiras diferentes pelo ator. Segundo Caio, que diz se inspirar no trabalho do primo Ricardo Blat (um dos "mestres de cerimônia" do documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr.), cada papel tem um processo diferente de construção. "Tem filmes que nascem da textura da pele, da voz, do olhar. Outros são buscas. E o processo de aproximação do personagem é sempre surpreendente. Às vezes, ele vem chegando num espaço que abrimos dentro de nós. Ele se acomoda e, quando a gente vê, já está lá", afirma, revelando que esse "processo maluco" mistura sempre o lado intuitivo com a pesquisa. Para Caio, o cinema brasileiro está vivendo um momento raro, único, com a formação de uma quase indústria de cinema: "Há dez anos, um ator da minha idade, não tinha a mesma perspectiva, não podia pensar da mesma forma na carreira no cinema".
Carreira que começou há 15 anos, na televisão, e que se estendeu ao teatro e agora mas fortemente ao cinema ele já havia participado de dois outros longas-metragens: Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, e Cama de Gato, de Alexandre Stockler. "Faço o que amo desde menino. Sempre foi um hobby, uma brincadeira, nunca tive o sentimento de obrigação, de trabalho. Faço com prazer", comenta o ator de 26 anos, que acredita estar vivendo a primavera da profissão. "É uma felicidade grande, pois estou podendo trabalhar bastante e com pessoas em que eu acredito, fazendo filmes muito diferentes e radicais. Isso me prepara um bom caminho para amadurecer e me tornar um ator adulto, me dá um sentimento de realização, tira um pouco a ansiedade a carreira, do que se quer conquistar, e aí tudo fica mais prazeroso", continua.
Caio Blat acabou sendo recontratado pela Globo este ano, para atuar na novela Sinhá Moça. "Eles até esperaram eu voltar de Nazaré da Mata, locação de Baixio das Bestas, para eu pode entrar na novela", comenta, lembrando que, hoje em dia, os diretores de tevê estão respeitando o investimento dos atores nos trabalhos em teatro e cinema. Seu próximo trabalho na telinha será na minisérie Amazônia, na qual fará uma participação especial.
Atualmente, o ator pode ser visto nos palcos paulistanos com a peça Mordendo os Lábios, do Hamilton Vaz Pereira e cariocas no espetáculo Essa Nossa Juventude, baseado em texto do roteirista e diretor de cinema Kenneth Lonergan, com direção da Maria Luísa Mendonça.
Baixio das Bestas, Proibido Proibir e Batismo de Sangue devem chegar aos cinemas ainda no primeiro semestre de 2007. Caio Blat avisa que no próximo ano deve participar de Insolação, longa-metragem que o diretor teatral Felipe Hirsch vai dirigir ao lado de Daniela Thomas.



