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Nasi vai além do blues em novo trabalho-solo

A carreira-solo de Nasi não é algo novo. Paralelamente ao trabalho no grupo Ira!, o vocalista lançou alguns discos ao lado do conjunto Os Irmãos do Blues, com canções do tradicional gênero musical americano, um projeto pessoal sem maiores pretensões. Mas as coisas podem crescer em termos de público na nova investida solitária do paulistano, que está lançando o CD Onde os Anjos Não Ousam Pisar pela major Sony & BMG, aproveitando também o embalo da recente e vitoriosa turnê do disco acústico do Ira!

Na capa do novo registro, Nasi assume de vez o apelido Wolverine, posando com a camiseta, o charuto, as garras de metal e as fartas costeletas que caracterizam o famoso personagem dos quadrinhos da Marvel (sucesso no cinema na pele do ator Hugh Jackman, astro dos filmes da série X-Men). Assim como o herói, o cantor enfrentou diversos percalços na vida (como a fase barra pesada do alcoolismo), mas sempre foi duro na queda. A voz já não é a mesma há um bom tempo, mas ele tem conseguido compensar esse fato com seu carisma, que ainda o mantém como um nome forte do rock brasileiro até para as gerações mais novas.

O blues também dá as cartas na música de Nasi, mas o cantor aponta seu trabalho para outras vertentes. "Corpo Fechado", boa música de abertura do CD, lembra um pouco o rock de Mudança de Comportamento, disco de estréia do Ira! no longínquo 1985, mas com um som atualizado, recheado de scratches (a cargo do DJ Spaig) e forte percussão (de André Jung, parceiro na banda paulista), além de pequenas inserções de flautas. O scratch e a percussão também aparecem em "O Rebanho", canção rapeada em que Nasi passeia por São Paulo e seus mais variados e estranhos tipos.

Outras faixas diferenciadas são: a lenta "Onde os Anjos Não Ousam Pisar", um quase tango, composição de Etel Frota e Zé Rodrix, que responde pelo piano e orquestração da mesma; as agitadas "Pistola na Mão" e "Wolverine Blues"; o soul de "Quero Ser Seu Anjo"; e a ótima e setentista "É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo", de Roberto e Erasmo Carlos. A tradição do blues é reverenciada nas demais músicas, que apresentam muita gaita, violões e saxofones. Nessa parte do disco, o destaque fica por conta de "Acredito no Amor".

Nasi assina quase todas as letras do álbum (ao lado de variados parceiros como Ciro Pessoa) e fala de sua cidade e de ser um cara basicamente durão, mesmo quando fala de amor e romances. O veterano Wolverine mostra que ainda tem alguns cartuchos para queimar. GGG

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