
Curitiba receberá, por uma noite, os maiores expoentes mundiais do balé e será palco para uma súbita, mas profunda, página da música clássica. Hoje, a partir das 20 horas, o Teatro Positivo apresenta Czares do Ballet escrito assim mesmo, já que no meio se adota a grafia em francês para muitos termos , espetáculo que reunirá bailarinos solistas das quatro principais companhias russas: Bolshoi, Mikhailovsky, Stanislavsky e Mariinsky.
Não é pouco. Para conhecedores da cena, as companhias russas representam não apenas o que há de referencial no balé clássico contemporâneo, mas também uma das pedras fundamentais do gênero o Teatro Bolshoi, por exemplo, fundado em 1773, é tombado pela Organização das Nações Unidas como Patrimônio Arquitetônico e Cultural da Humanidade. O Teatro Mariinsky, também conhecido como Teatro Imperial, lançou Nijinski e Baryshnikov.
Da nova geração de grandes bailarinos o processo de seleção dos profissionais é considerado um dos mais árduos do meio artístico, usando palavras educadas , as companhias trazem à capital nomes da estirpe de Elena Andrienko e Igor Kolb, dois dos bailarinos mais respeitados do mundo. "Fizemos um esforço imenso para viabilizar a produção deste espetáculo. A agenda destes bailarinos é muito concorrida. Não foi fácil de conseguir as autorizações para essa turnê curta, que começa por Curitiba e depois irá também para Argentina, Paraguai e Colômbia", afirma Oksana Kordiyaka, coordenadora da turnê.
Superprodução
A magnitude de cenários e coreografias é uma das marcas do espetáculo, que contará com nove números, sendo sete assinados por Marius Petipa (1818-1910), aquele que é considerado o "pai do balé clássico". Petipa, que nasceu na França, mas viveu por mais de 60 anos na Rússia, é reconhecido por sua basilar parceria com Tchaikovsky em O Lago dos Cisnes e A Bela Adormecida ambos os números constam no programa e um certo gigantismo de caráter. Excelente bailarino e com trajetória já consolidada na Europa, buscou trazer ao balé clássico, em sua fase russa e no que tange às coreografias, novas amplitudes cênicas. Foi muito questionado à época por destacar as obras não pelo âmbito lírico e musical, mas pela possibilidade de criar grandes cenas. Entretanto, seu tecnicismo e formalismo permaneceram e hoje são obrigatórios para o entendimento do balé atual.
A direção do espetáculo é assinada pela russa Bragina Ludmila, diretora, desde 2007, do tradicionalíssimo Teatro Nacional de São Petersburgo. Ela é uma das maiores produtoras de teatro do mundo e já organizou aproximadamente cinco mil performances de repertório clássico russo em mais de 30 turnês mundiais em sua terra natal, estas apresentações especiais são chamadas de Noites de Gala do Balé.
"Na Rússia, essas Noites, com trechos dos clássicos, música e coreografias originais, são muito comuns. Bragina é uma artista muito importante em São Petersburgo e em seus trabalhos há um respeito de montagem muito grande ao original", completa Oksana. Não há de ser uma noite comum.
Obras remetem ao imaginário da música clássica
O programa de Czares do Ballet trará obras do imaginário da música clássica, como A Bela Adormecida e O Quebra-Nozes, do russo Peter Tchaikovsky (1840-1893). Aliás, a trajetória do compositor russo se confunde com as grandes companhias de seu país. Baseado no conto de fadas do escritor francês Charles Perrault, A Bela Adormecida, balé de um prólogo e três atos, com coreografia de Petipa, foi escrito entre 1888 e 1889. Sua estreia ocorreu no Teatro Mariinsky, de São Petersburgo, em janeiro de 1890. "Algumas obras não podiam faltar. O Adágio Branco e o Cisne Negro são fundamentais para o entendimento do balé russo", alega Oksana.
Saindo um pouco do arrasa-quarteirão Petipa, o programa ainda trará duas coreografias do dançarino russo Michel Fokine (1880-1942), com destaque para Scheherazade, a célebre transposição de Fokine da coletânea de narrativas orientais. As performances ficarão por conta de Anna Sysoeva e Mikhail Venshchikov, ambos da Companhia Mariinsky.




