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Opinião

Noite de rock: Os Mutantes e Saco de Ratos

Sérgio Dias, dos Mutantes, levanta a plateia no John Bull | Michel Campestrini/ Divulgação
Sérgio Dias, dos Mutantes, levanta a plateia no John Bull (Foto: Michel Campestrini/ Divulgação)

Uma grande noite de rock, com direito a tudo o que cerca esta palavra diabólica. Assim foi a noite da última sexta-feira em Curitiba, em que me tocou assistir em sequência a dois grandes concertos.

A sessão dupla começou com o blues rock pesado e sacana do Saco de Ratos, mais conhecida em Curitiba como a "banda do Mário Bortolotto". O show foi no Teatro do Paiol, fechando a programação do aniversário do RadioCaos.

Em versão acústica, com o vocal rouco de Bortolotto ladeado pelos guitarristas virtuosos Fábio Brum e Marcelo Watanabe, os caras embasbacaram a pequena plateia com as composições bêbadas (e ótimas) de Bortolotto e com algumas versões bluseiras de musicas de Leminski, Itamar Assumpção e Roberto Carlos.

Diversão pesada na plateia e palco: os caras só pararam de tocar quando secaram as duas garrafas de vinho que Brum e Bortolotto levaram. Fica a expectativa de que algum bar roqueiro da cidade programe para o quanto antes um show da banda completa – com baixo e bateria. A lenda em São Paulo é que os shows do Saco de Ratos duram mais de quatro horas em média e terminam com o público tomando o palco.

Se sobrou som e faltou público no Paiol, na festa de aniversário de 30 anos do John Bull tinha gente "pendurada até no lustre" para ver o show de lançamento do novo álbum dos Mutantes.

Liderados pela guitarra de Sérgio Dias, cheio de gás e tocando cada vez melhor, o sexteto de músicos competentes viu a catarse coletiva tomar de assalto o velho bar no São Lourenço.

Seja nas viajantes canções do novo álbum, Fool Metal Jack, seja nos grandes sucessos da banda, o som dos Mutantes é inconfundível e inebriante – uma música que não envelhece e assim segue renovando seu público. No John Bull, o povo simplesmente não deixava a banda sair do palco.

Algo que só aconteceu depois das 3 horas da manhã, após uma dezena de bis. Ao final do show, Sérgio Dias e o curitibano Henrique Peters ficaram mais de uma hora com simpatia e estrelismo zero, atendendo à quilométrica fila para fotos e autógrafos.

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