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Opinião

O Amante da Rainha é um drama vigoroso

Dramas históricos podem ser uma armadilha. Em nome de uma pretensa fidelidade aos fatos, e a uma reconstituição detalhista, dos cenários e figurinos à linguagem empregada nos diálogos, o roteiro e a mise-en-scène, as opções do diretor, acabam sendo ofuscados. E os filmes resultam natimortos. Belos, mas sem vida. Não é o caso de O Amante da Rainha, em cartaz no Cineplex Batel desde a última sexta-feira.

Embora esteja a anos-luz das experimentações e dos propositais anacronismos de um Maria Antonieta, no qual a cineasta norte-americana Sofia Coppola encontrou espaço para tênis All Stars e o indie rock no Palácio de Versalhes do século 18, o longa de Nicolaj Arcel, indicado a melhor filme estrangeiro neste ano, tem vigor e frescor em doses expressivas.

A trama é construída como um longo flash back. Sabe-se, de saída, pela narração em off, que a protagonista da trama é uma rainha no exílio, expulsa da corte, que escreve uma carta aos filhos, banhada de tristeza.

A monarca em questão é Caroline Mathilde (Alicia Vikander), casada com o rei Christian VII (Mikkel Boe Folsgaard), da Dinamarca, no século 18, período histórico no qual regimes absolutistas, por conta do Iluminismo, começam a ser questionados.

Portador de um transtorno psíquico que nunca é diagnosticado com precisão, o rei, um homem bastante jovem e muito instável, recorre a um médico de origem alemã, Johann Friedrich Struensee (Madds Mikkelsen, de A Caça).

Em sua maleta, onde guarda medicamentos dos quais a corte de Copenhague não ouviu falar, Struensee também transporta ideias revolucionárias, de pensadores como Rousseau e Voltaire. Ele é um progressista, disposto a inocular Christian com um vírus bastante perigoso: o da justiça social.

Esse ideário progressista aos poucos "contamina o monarca", que se apega ao médico como a uma figura paterna, capaz de orientá-lo e apontar-lhe o caminho certo. E também acaba por seduzir Caroline – também em vários sentidos.

Desse estranho triângulo amoroso, nasce uma onda de transformações na Dinamarca que colocará o país escandinavo na vanguarda política de seu tempo. Mas esses avanços terão seu preço, atiçando a ira da aristocracia mais conservadora e da Igreja protestante.

Impecável do ponto de vista estético, O Amante da Rainha enche os olhos, o que possibilita ao público um mergulho no tempo em que a trama se desenrola. Mas o filme ultrapassa os méritos da direção de arte, da fotografia e do figurino. O elenco é primoroso: como o rei Christian, Mikkel Boe Folsgaard venceu o Urso de Prata, de melhor ator no Festival de Berlim de 2012. GGG1/2

Classificações: GGGGG: Excelente. GGGG: Muito bom. GGG: Bom. GG: Regular. G: Fraco. 1/2: Intermediário. N/A: Não avaliado.

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