
Paraty, RJ - Em um episódio do desenho animado South Park, os personagens descobrem que, no futuro, Richard Dawkins virou motivo de culto, uma espécie de santo. Ontem, o geneticista britânico caminhava por Paraty com sapatos marrons gastos, uma camisa florida preta com estampas brancas e uma calça jeans batida. Humilde tal qual uma figura religiosa.
Um dos cientistas mais populares do mundo, Dawkins participaria ontem de uma das mesas mais aguardadas da 7ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Nela, ele falaria sobre Deus, um Delírio (Companhia das Letras), uma obra controversa em que o discurso contra a religião se torna mais contundente, mais agressivo. A piada do South Park não é gratuita. Dizem que, no livro e fora dele, Dawkins tem defendido o ateísmo com a fé de um pastor.
Em conversa com a imprensa, o autor diz que não é nada disso. No livro e na campanha que ajudou a bancar na Inglaterra em que outdoors carregados por ônibus londrinos diziam: "Provavelmente não existe um deus" , Dawkins procura se aproximar do assunto com humor.
"O problema é que o menor questionamento que você faz da religião é considerado agressivo porque não se pode questioná-la", diz o cientista. Para ele, o importante é fazer as pessoas pensarem por isso a opção pelo "provavelmente" no anúncio (outra opção seria usar "É quase certeza de que não existe um deus").
Embora seja um ateu assumido, ele diz que toda criança deveria ser educada com a ajuda da Bíblia. "É preciso conhecê-la para poder questioná-la", diz. As histórias bíblicas sempre segundo Dawkins são fundamentais para se compreender as artes e a História. E para entender algo fundamental sobre a humanidade.
Ele faz vários paralelos do ateísmo com o homossexualismo, mas afirma que, hoje, o primeiro é mais discriminado que o segundo. "É possível que um político gay pudesse se tornar presidente dos EUA ou primeiro-ministro da Inglaterra; mas um ateu, não", diz.
Hoje, na Flip, o colunista da Gazeta do Povo Cristovão Tezza debate com o mexicano Mario Bellatín o quanto a história pessoal de um escritor pode inspirar um relato ficcional. Em outra mesa, o músico e escritor Chico Buarque conversa com Milton Hatoum, autor de Cinzas do Norte.
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Serviço
Acompanhe a cobertura da 7ª Flip no blog Livros, da Gazeta do Povo Online http:// portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/livros



