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Dança

“O balé não deve ser maçante”

Com 43 anos de carreira, o Grand Moscow Classical Ballet apresenta A Bela Adormecida no Guairão, 18 anos depois de sua última visita ao Brasil

“Trouxemos para o Brasil grandes nomes de nossa companhia como Marina Rzhannikova e Artem Khoroshilov que é um dos melhores bailarinos da Rússia atualmente.” Ivan Vasilyov, diretor geral do Grand Moscow Classical Ballet |
“Trouxemos para o Brasil grandes nomes de nossa companhia como Marina Rzhannikova e Artem Khoroshilov que é um dos melhores bailarinos da Rússia atualmente.” Ivan Vasilyov, diretor geral do Grand Moscow Classical Ballet (Foto: )

Foram duas apresentações em Salvador, ontem e na terça-feira. Mais dois espetáculos estão agen­­dados para o Rio de Janeiro, no sábado e domingo. Entre uma e outra cidade litorânea, a companhia russa Grand Moscow Clas­­si­cal Ballet tem escala em Curitiba hoje e amanhã, para dançar o clás­­sico A Bela Adormecida, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893), no Guairão, às 21 horas.

A turnê pelo Brasil, iniciada no dia 4, com passagens por Porto Alegre, Juiz de Fora e Belo Horizonte, marca o retorno do premiado elenco de solistas 18 anos após sua última visita ao país. "Muita coisa mudou", diz o diretor geral da companhia, Ivan Vasilyov. "Vie­­mos durante os tempos da Cor­­tina de Ferro. Quase ninguém tinha permissão para viajar, mesmo que a trabalho. Para se ter uma ideia, nós viemos ao Bra­­sil após uma longa negociação com diversos empresários, foi tudo rápido e sério."

O cenário agora é outro, e entusiasma Vasilyov: "Desta vez, a turnê está perfeita. O povo brasileiro nos transmite que o balé é algo que eles querem ver com muita vontade." Também na Rússia, segundo conta o diretor, apesar das mudanças sentidas nas ultimas décadas, as plateias ainda se mantêm interessadas pela dança clássica, arte pela qual o país é aclamado como referência mundial.

"O público russo é um ótimo consumidor de cultura", diz o diretor. "A década de 90 foi incrível para a cultura, em todos os sentidos. Recebemos informação de todos os lados. Mesmo assim, os russos continuam consumindo muito bem a nossa cultura, nos prestigiam muito. O interesse é praticamente inalterado."

A companhia, com 43 anos de história, se orgulha de sua "grandiosidade técnica e qualidade", marcas do balé russo. Nesta turnê, viaja com alguns dos grandes no­­mes de seu corpo de baile, como Marina Rzhannikova e Artem Khoroshilov – "um dos melhores bailarinos da Rússia atualmente", na opinião de Vasilyov. Quanto aos integrantes mais novos, o diretor geral é igualmente otimista: "Muitas vezes os bailarinos jovens, ainda sem títulos, acabam sobressaindo."

Dois ou um

Algumas cidades percorridas pela turnê – que ainda vai a Brasília e termina em São Paulo – verão duas coreografias. Além de A Bela Adormecida, também o Dom Quixote, de León Minkus. Curitiba sediará apenas a primeira, por opção dos contratantes. "Não é ruim ter uma ótima montagem por duas vezes, não é?", questiona o russo.

A sua versão para o balé de Tchaikovsky, criado entre 1888 e 1889, e que estreou um ano mais tarde, em São Petersburgo, não diverge em conceito das realizadas por outras companhias clássicas russas. "O que a diferencia são alguns movimentos que Na­­ta­­lia Kasatkina e Vladimir Va­­si­­lyov (diretores artísticos) aplicam e a liberdade que nossos bailarino têm de opinar e dar seu toque pessoal."

Na versão original, eram longas quatro horas distribuídas em quatro atos. Hoje em dia, a montagem tem a metade da du­­ração. "A fábula permanece in­­tacta", diz o diretor, para quem "a arte do balé não deve ser maçante". Até a música ga­­nha aceleração: é 30% mais rápida do que a executada na estreia, nos idos do século 19. "Mo­­der­­nizamos porque o mundo se mo­­dernizou, tornando a coreografia mais compreensível para os olhos de hoje", justifica.

Sem recursos para viajar com a orquestra (The Grand Moscow Classical Ballet Orchestra) desta vez, a trilha sonora fica por conta da gravação realizada pelos músicos russos. "Esperamos no fu­­turo conseguir voltar ao Brasil com a orquestra completa", afirma Ivan Vasilyov. "Em alguns paí­­ses, conseguimos. A outros, levamos apenas o nosso maestro. Aqui no Brasil, não foi possível."

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