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Entrevista

"O caminho alternativo combina comigo" diz o roqueiro Wander Wildner

O artista gaúcho vem ao Paraná para o lançamento de seu novo disco "La Canción Inesperada"

O visual irreverente de Wander Wildner | Rochelle Costi/Divulgação
O visual irreverente de Wander Wildner (Foto: Rochelle Costi/Divulgação)
Wildner faz três shows no Paraná |

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Wildner faz três shows no Paraná

Transgressor e irreverente, Wander Wildner, 49 anos, tem trilhado um caminho alternativo na sua carreira. Muitas vezes fez shows sozinho, não aparece na grande mídia, mas desde 1996, quando teve início sua carreira solo, lançou oito discos. O último, "La Canción Inesperada", foi chegou às lojas em abril deste ano. O roqueiro gaúcho que agora reside em São Paulo faz três shows no Paraná a partir desta quinta-feira (6), começando por Curitiba, no bar 92 Graus, e depois segue para Londrina e Maringá.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Wander Wildner diz que o caminho alternativo é a melhor forma de trabalho para ele. "Eu não me enquadro no esquema convencional porque é trabalhar pra máfia. Os artistas estão com as mãos sujas de sangue", alfineta Wildner.

O artista trabalhou com cinema e vídeo antes da música, e em 1983 surgiu como vocalista da banda punk Os Replicantes. Depois resolveu trilhar uma carreira solo, o que não o impediu de fazer alguns shows novamente com Os Replicantes.

Na carreira solo teve dois discos produzidos por Tom Capone (que trabalhou com artistas como Maria Rita, Lenine, Skank, O Rappa, entre outros): "Baladas Sangrentas" e "Paraquedas do coração". Participou do Acústico MTV Bandas Gaúchas. Teve a canção "Bebendo vinho" gravada pelo Ira!.

Depois de se lançar como um artista punk brega, Wildner diz que é uma pessoa comum. "Essa coisa de celebridade da cultura contemporânea não combina comigo".

Confira a entrevista:

Há quanto tempo você não se apresenta no Paraná?

Para Curitiba eu vou quase todo ano, mas para Londrina e Maringá faz muito tempo. Ainda é uma região difícil para fazer shows. Estou indo para ganhar bilheteria porque não consigo vender o show pelo cachê mínimo, mas acho importante ir para essas cidades, para atender o público. Já fiz alguns shows sozinho em Londrina, mas dessa vez vou com outras duas pessoas.

São pessoas da sua banda?

Não exatamente. Mas já tem uns quatro anos que trabalho com a Georgia Branco (baixo e vocal) e a Pitchu (bateria e vocal). Elas são da banda As Mercenárias, mas realizamos alguns trabalhos juntos. Quem sempre me acompanha é o Jimi Joe, mas no momento ele não está podendo viajar muito. Levo banda quando consigo vender o show por um cachê mínimo, porque precisa de uma estrutura maior.

Você é um artista com mais de 20 anos de estrada, mas dificilmente é visto na grande mídia. Como é sobreviver tanto tempo de forma alternativa?

Eu estou sempre trabalhando, criando. Procuro trabalhar com pessoas que tenham a ver comigo e sempre tenho encontrado. Existe uma troca muito grande nesse meio alternativo. Nunca coloco dinheiro para fazer um disco, faço com amigos de forma independente. A gente vai fazendo depois conforme o dinheiro entra vamos produzindo.

Minha carreira não é convencional, minha forma de vida é bem original, aventureira. Desde os meus 12 e 14 anos, eu questionava os meus pais, a forma de vida deles, e tenho trilhado um caminho diferente. Para mim não serve trabalhar com músicas de forma convencional, com as grandes gravadoras porque é participar da máfia. Quando fiz isso me dei mal. Acho que hoje os artistas estão com as mãos sujas de sangue porque fazem um monte de concessões para ganhar dinheiro, pra tocar na rádio, aparecer na televisão. E estão fazendo uma arte ruim. O nível da música brasileira está baixíssimo e o pior é que ninguém fala isso porque se falar não vão chamar pra ir à TV, aparecer na revista.

Por que você acha que a qualidade está tão ruim?

As pessoas estão muito empenhadas em ganhar dinheiro, em vender, em estourar nas rádios em espaços comprados. Acho isso um crime contra a cultura. Mas já vi muita banda estourar e sumir. O legal é estar relacionado a coisas bacanas, fazer um caminho em que haja respeito.

O título do seu último disco "La Canción Inesperada" sugere um ar de romantismo. É isso mesmo?

Saí do romantismo. É uma forma de amar que não vale a pena. Eu estive muito tempo impregnado pelo romantismo por ter ouvido a Jovem Guarda, Roberto Carlos, mas me dei mal nos relacionamento porque era romântico. Nos últimos anos descobri que o amor não é assim.

O disco fala mais de viagens, aventuras. A música título eu fiz em Amsterdã, quando viajei com Os Replicantes em 2003 para uma turnê. Estava andando pela cidade e percebi que as pessoas flertavam, coisa que não acontece em outros grandes centros. Aí me veio a idéia do amor inesperado.

Outra canção desse disco que gosto é Mares de Cerveja, do Nenung, compositor e músico da banda gaúcha Barata Oriental. É uma canção que fala da busca do dia a dia, de aventura. As pessoas estão muito etílicas, acho que por isso agrada.

A maioria das canções é sua?

Desde que mudei para São Paulo não tenho composto. Não sei explicar. Já fiz muitas versões e componho quando estou com o violão na mão. Esse disco tem cinco canções minhas, que eu já tinha. Hoje tenho trabalhado mais com a produção dos meus shows.

As canções do novo disco são a base do show?

O show é dividido em duas partes: a primeira são com canções que falam de romantismo e a segunda parte fala da estrada, 'on the road'. Canto músicas de todos os discos.

Quando lançou seu primeiro disco, "Baladas Sangrentas", você mesmo se definiu como um artista punk brega. E hoje, como você se define?

Na época eu disse isso porque tinha referências do punk do Replicantes e da música brega que eu ouvia na minha infância, nos rádios. Depois teve uma época que eu achava legal ser artista, criar coisas. Vi que o profissionalismo leva à competitividade. Passei a me considerar um artista amador. Mas essa coisa da cultura contemporânea do artista ser famoso, virar celebridade não acho legal. O programa Big Brother Brasil mostrou isso, o cara sai do programa e vira ex-BBB. Não tem mais nada na vida? Passei a me considerar uma pessoa normal. Arte é criar coisas, então um marceneiro que faz uma cadeira ou um cozinheiro que faz prato especial também não são artistas? Por isso me considero uma pessoa normal.

A chegada da Internet ajudou o seu trabalho?

Eu tenho um site que foi criado por um pintor, que eu mesmo atualizo. Acho a internet uma grande ferramenta, mas tem que saber usar. Falam da ameaça do download de músicas. É muito fácil mesmo disponibilizar músicas na internet, mas a qualidade é horrível. Tem que saber usar.

Está gostando de morar em São Paulo?

Estou morando em São Paulo há quatro anos, desde o Acústico MTV. É uma cidade universal. As coisas acontecem, têm muito mais dinâmica, vários projetos acontecendo que valorizam os artistas. Era uma cidade que eu passava um tempo, mas nunca tinha morado. Estou gostando. É fácil para ir para outros lugares.

Você tem feito muitos shows?

Este mês tenho 15 shows agendados. Estou na estrada fazendo shows pelo Sul do Brasil. Depois vou pra São Paulo e em dezembro vou pro Nordeste, só volto no Carnaval. Agora estou procurando ficar mais nas cidades, chegar antes, trocar mais com as pessoas. Está todo mundo correndo. Fiz vários festivais onde nem conheci o produtor do festival. Acho estranho isso. É preciso ter tempo para trocar mais experiências musicais.

Quais são seus projetos futuros?

Depois deste período de estrada que vou fazer shows, pretendo lançar um DVD em março com meus clipes, com cenas dos filmes em que participei como ator, com extras de shows. Estou reunindo este material.

Prepare-se para o show de Wander Wildner, quinta-feira (6), no 92º Graus

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