
O All Music Guide, uma das boas enciclopédias sobre assunto na internet, lista impressionantes 58 subgêneros do folk inclusive o antifolk, que usa elementos do punk , mas deixa de fora rótulos criados há pouco, entre eles, folktronic (com elementos eletrônicos) e freak folk (cujo exemplo melhor é Devendra Banhart).
"Acho que isso é viagem de crítico de música que quer inventar nome ou rotular exatamente cada som, o que é impossível", diz o produtor cultural Horácio de Bonis.
A loja virtual Amazon tem uma sessão dedicada ao folk, com seu próprio ranking de mais vendidos atualizada de hora em hora e lista de lançamentos. Embora não fique claro o que é considerado folk, a lógica da Amazon parece ser, na dúvida, colocar um mesmo álbum em várias seções. Assim você encontra o disco Closer to the Bone, de Kris Kristofferson, nas seções de folk, country e rock alternativo.
Pegar o conceito mais amplo e tradicional de folk, o de música folclórica, permite colocar artistas muito diferentes num mesmo ambiente. Imagine o brasileiro Luiz Gonzaga sentado à mesa com a americana Joan Baez.
"A verdadeira música folk é de raiz, seja ela ocidental ou oriental. É a música espontânea, nascida fora da academia, simples, bela e popular", diz o guitarrista André Scheinkmann, técnico musical do Paço da Liberdade.
A noção mais comum de folk está vinculada ao som produzido na Inglaterra e nos Estados Unidos nos anos 60 e 70.
"É a geração que incorporou o folk feito por Woody Guthrie, Pete Seeger e outros nomes menos conhecidos. O pessoal dos anos 60 nos EUA cresceu com referências do folk tradicional, que tinha sua chama mantida acesa através de edições em LPs dos selos Smithsonian, Folkways, Rounder e outros, além da ajuda de pesquisadores como Alan Lomax", explica De Bonis. "Foi isso que possibilitou o surgimento de Bob Dylan, Joan Baez, Arlo Guthrie (filho de Woody) e outros."
Autor do livro Rock O Grito e o Mito (Vozes) e colaborador da Gazeta do Povo, Roberto Muggiati cria uma equação clara para explicar que o rock surge a partir do blues ("predominantemente negro, fala sobre solidão, amor e destino") e do folk ("predominantemente branco, é o canto do oprimido").
O elo entre a música folclórica, na acepção da palavra, e o folk herdado dos anglo-saxãos é a força popular. Os desdobramentos e rótulos estrambóticos nem sempre se justificam. "A pessoas exigem demais de um gênero que é simples, enraizado e tradicional por natureza", diz Azevedo.
Para o jornalista, a encarnação mais engajada do folk, defendida pelas mesmas pessoas que queriam trucidar Bob Dylan quando este trocou o violão pela guitarra, tem mais a ver com um "dever cívico" do que com arte, mais ou menos como cantar hino nacional.
"Eles criavam suas músicas, falando de como o mundo estava ruim (nos anos 1960) e qual seria a realidade perfeita, se reuniam, cantavam e depois voltavam para suas casas para tocar suas vidas normais. É digno? Pode ser, mas não chega nem perto da realidade de Woody Guthrie, que vivia suas letras", diz Azevedo.
Serviço
All Music Guide na internet: www.allmusic.com




