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Literatura

O jabutizeiro de Pellegrini

O escritor e colunista da Gazeta do Povo Domingos Pellegrini comemora mais um Jabuti, um dos prêmios literários mais importantes do Brasil

Coleção: a chácara de Pellegrini ganha mais um Jabuti, o sexto de sua carreira | Gilberto Abelha/ Gazeta do Povo
Coleção: a chácara de Pellegrini ganha mais um Jabuti, o sexto de sua carreira (Foto: Gilberto Abelha/ Gazeta do Povo)

A primavera trouxe, muito mais que flores, outro "jabuti" para a fauna que habita a chácara onde o escritor Domingos Pellegrini – colunista da Gazeta do Povo – vive desde 1996, em Londrina. Ele abocanhou mais um Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileiro do Livro: o terceiro lugar na categoria Juvenil, com o livro Mestres da Paixão - Aprendendo Com Quem Ama O Que Faz. Anteriormente, ele já havia faturado outros cinco Jabutis. Em 1977, venceu na categoria contos com O Homem Vermelho; em 2001, emplacou na categoria romance com O Caso da Chácara Chão; em 2006, o livro de poesia Gaiola Aberta ficou em terceiro lugar e o romance Meninos no Poder, em segundo na categoria romance. Em 2003, recebeu menção honrosa, e levou uma estatueta no formato de um "jabutizinho", com o romance No Coração das Perobas.

"Tanto jabuti significa um... jabotizal? Qual o coletivo de jabuti?", pergunta Pellegrini para, em seguida, responder: "O que sei ao certo é que os cinco jabutis do meu jabotizeiro terão mais um companheiro." Pellegrini conversou com a reportagem da Gazeta do Povo na manhã de ontem, em meio a sua rotina matinal. "Levanto às 7 horas, dou café para minha mãe, tomo café, lá pelas 8 estou no computador, escrevo até a hora do almoço, depois vou pra cidade enfrentar a ditadura dos bancos, ou vou andar, vou lidar na chácara, bater paçoca no pilão, conversar com os cachorros ou namorar Dalva, que aliás começa a morar na chácara mês que vem. Casamos de vez".

O mundo é "ade"

Os livros de Pellegrini – não apenas os vencedores do Jabuti, mas os quase 50 que ele já publicou – se irmanam, muito mais do que apenas por "enredos", pela visão de mundo. "Meus livros convergem para o entendimento de que na minha arte a ética é tão importante quanto a estética. A ética, a conduta, o fazer o certo, dá sentido à existência." E, a partir dessa diretriz, o escritor tem como norte o "ade", o seu credo-ideário. Mas o que seria esse "ade"? "Creio e vejo confirmação disso na política, na economia e na vida em geral, que os valores em "ão", renovação, eleição, revolução; e os valores em "ia", democracia e cidadania, não funcionam sem os valores em "ade", como honestidade, verdade, sinceridade, qualidade, produtividade, bondade. Não porque não somos iguais, somos diversos e nisso está o desafio: ser fraternos na diversidade."

O fazer

E, se o homem é, muito mais do que pensa e acredita, o que faz, o escritor pé-vermelho entende que, levando em consideração a diversidade, é até possível respeitar os omissos, os resignados, os conformados, os covardes, mas – enfatiza – "é preciso que existam os inconformados, os rebeldes, os visionários". Ele cita Jesus, que disse: "Eu sou o que sou." E, em seguida, sublinha que pretende ser o que é, na vida e na literatura: inconformado e visionário. "Até para que os acomodados possam levar comodamente uma vida melhor num mundo melhor."

Ativo

Em 2006, Pellegrini deu voz de prisão a um gerente de banco, em Londrina, após ficar 28 minutos em uma fila para ser atendido. Mas isso não foi um ato isolado. "Sempre briguei por direitos, liberdade, civilidade, dignidade, desde o tempo da ditadura, só que então a briga era clandestina. A democracia permite que a gente bote a boca no trombone, mas é tão difícil efetivar direitos na democracia como na ditadura. Não tem mais repressão, mas tem mais corrupção, além de, como sempre, muita omissão."

Inteligência emocional

Pellegrini diz só obedecer o que o seu coração manda. E, seguindo as determinações cardíacas, ou emocionais, escreveu um romance, a ser publicado em breve, a respeito de uma quadrilha de classe média. Na sua gaveta, ou na pasta "meus documentos" do seu computador, armazena, entre os textos inéditos, um livro de contos, O Destino de Elvis Presley, o romance O Som do Coração, e vários livros de poesia. Fora isso, ainda ministra palestras. "Quem tem o dom da palavra pode brincar até com o universo."

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