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Literatura

O ladrão de pérolas

Autor de Auto-Engano e Felicidade, Eduardo Giannetti fala sobre seu último trabalho, O Livro das Citações, em palestra com entrada franca no Shopping Palladium

Em seu novo livro, Giannetti propõe um “breviário de idéias replicantes” | Bel Pedrosa/ Companhia das Letras
Em seu novo livro, Giannetti propõe um “breviário de idéias replicantes” (Foto: Bel Pedrosa/ Companhia das Letras)

"O que quer que um outro disser bem, é meu." Nada melhor do que emprestar a frase de Sêneca para começar a falar de um livro feito de citações, do começo ao fim.

A capa dura em vermelho de O Livro das Citações, mais recente obra do economista Eduardo Giannetti, é composta apenas por uma grande "aspa", que abre caminho para a leitura de cerca de 1,1 mil citações. "Uma iniciativa corajosa", diz o autor, referindo-se à capa sem nenhuma outra informação.

Os trechos, colecionados pelo autor há 30 anos, formam o que chama de "breviário de idéias replicantes". "As idéias dialogam entre si e, com o tempo, reaparecem transformadas, em novas configurações. Uma das mais recorrentes, por exemplo, é que 'com o saber cresce a dúvida'", diz Giannetti, que pinçou trechos de um patrimônio intelectual de 25 séculos de contribuições à filosofia, à ciência e à literatura universal.

Quando ainda estava na faculdade, Giannetti percebeu que assimilava muito pouco dos livros que estudava. Resolveu se submeter a uma auto-exigência: reescrevê-los, copiando os melhores trechos. "Aqueles que me davam inveja por não ter escrito", brinca. Em 2001, deu-se conta de que podia aproveitar as extensas anotações de leitura, criando um livro de citações organizados por assunto. "Até então nadava contra a corrente. Criei um caderno no qual passei a dividir as anotações por tema e, aí, virei o barquinho", conta.

Definiu quatro grandes temas: o uso da linguagem; a formação de crenças e a busca do conhecimento; a ética pessoal e a ética física (da vida em sociedade). São tópicos que, não por coincidência, povoam seus livros anteriores (leia quadro). "São temas que acendem o meu radar de leitor e pesquisador e com os quais tenho uma ligação pessoal forte", conta.

Giannetti explica que procurou criar uma "dramatização da história das idéias", a começar pela epígrafe: "Autores são atores, livros são teatros", de Wallace Stevens. "Os personagens são autores que sempre me acompanham", conta. Alguns mais do que os outros, como é o caso do filósofo Nietzsche, dono de 87 citações – o que representa 10% do livro. "Quando fiz o levantamento, fiquei até envergonhado", conta Giannetti. "O modo como ele escreve e apresenta seu pensamento se presta muito à citação", justifica. Em segundo lugar, está o economista e filósofo Adam Smith e, em seguida, o escritor alemão Goethe.

Mas não faltam os grandes autores de ficção como Shakespeare, Dostoievski, Baudelaire, Fernando Pessoa e Machado de Assis. "Dostoievski me diz muito mais do que um tratado de psicologia", diz o autor.

Giannetti rejeitou a cronologia e a sistematicidade. "Não queria tornar o livro burocrático. O que fiz foi um encadeamento estruturado em que os pensamentos dialogam entre si", finaliza. Ele gostaria que o livro fosse uma porta de entrada para o jovem no universo das grandes obras universais. "Se ele funcionar, despertará o apetite pelo original."

Mas, ao extrair citações das obras que leu, não haveria o risco de incorrer na fragmentação da informação, uma das grandes questões atuais? "Estou usando a tática do inimigo. Uso sua força para vencê-lo", diz. Ele entende que o livro pode ser tanto "muleta para os preguiçosos como fonte de inspiração para os criativos".

Ao fechar o livro, fecham-se as aspas, como sugere o símbolo na contracapa, mas não as inúmeras possibilidades de leituras.

Serviço

Projeto Arena Cultural Palladium – encontro com Eduardo Giannetti. Dia 25, às 19h30, na praça de eventos do Shopping Palladium (Av. Presidente Kennedy, 4.121, loja 2047, piso L2 – Portão), (41) 3330-5000/3330-6777. Em seguida, o autor autografa O Livro das Citações (Companhia das Letras, 464 págs., R$ 44,10) nas Livrarias Curitiba do shopping. A entrada é franca.

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