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Cênicas

O macho desconstruído

Remontagem de Super Homens, que estreia amanhã no espaço de Mauro Zanatta, aborda conflitos e traumas de soldados em relação às mulheres

O cenário é composto por três beliches, ao redor dos quais os recrutas se movimentam e dialogam | Divulgação
O cenário é composto por três beliches, ao redor dos quais os recrutas se movimentam e dialogam (Foto: Divulgação)

Alguns espetáculos que falam sobre relacionamentos são abertamente pautados por clichês e feitos para provocar o riso escrachado. Já Super Homens, que estreia amanhã no Espaço Excêntrico Mauro Zanatta, promete fazer uma reflexão mais profunda pelo fato de partir de questões reais que afligem, ou afligiram, os integrantes do elenco.

A ideia era prover um contraponto a Mulheres Espetaculares, peça que fazia sucesso no grupo de Mauro em 2010, feita só por atrizes e um homem vestido de mulher, quando surgiu a ideia de montar a versão masculina. A reestreia, agora, traz diversas modificações, de acordo com o grupo.

A trama é bastante simples. Num quartel, seis recrutas e um tenente são chamados para acompanhar o pelotão feminino em uma missão às 3 horas da madrugada. Subitamente, todos são tomados pelo temor de se aproximar do chamado "sexo frágil" – noção que começam a desconstruir ao dividir seus conflitos e até traumas ligados às mulheres. As experiências são relatadas ao tenente, que é casado com a capitão do "time" oposto. Surge então uma espécie de "delírio coletivo" ao longo da espera.

Um dos militares tem dificuldade para lidar com a mulher no período pré-menstrual; outro, não consegue se afastar das ex-namoradas, chega a dormir na casa delas e acaba até conhecendo os novos companheiros.

Tem ainda aquele que virou uma espécie de pai para a própria mãe ao assumir a liderança em casa; por fim, um deles sempre foi extremamente seco com o sexo oposto e sentia-se humilhado na escola pelas garotas.

Todo esse diálogo se dá durante a espera para saírem com as colegas, num espaço que comporta três beliches, ao redor do qual eles se movimentam, entre exercícios, cantorias etc. Os conflitos relatados revelam o quanto é frequente o sentimento de inadequação, seja do homem perante a mulher ou em relação a estereótipos sociais.

Após a revelação da tarefa que terão de cumprir, os militares passam por uma sutil transformação capaz de derrubar máscaras endossadas há tempos. Tudo isso em clima de humor, como é a marca registrada dos espetáculos dirigidos por Mauro Zanatta, que reuniu aqui um elenco de ex-alunos: Bruno Mancuso, Bruno Lops, Edran Mariano, Frank Sousa, Hique Veiga, Nelson Prado e Robinson Tocera.

Coletivo

A criação do espetáculo, como fica claro pela inserção de histórias dos próprios participantes, foi coletiva. O texto final foi até mesmo redigido pelos atores, que assinam a dramaturgia em grupo. "A escolha por situar a trama num alojamento de quartel partiu do questionamento sobre onde a ‘questão do macho’ seria mais exercitada", contou à Gazeta do Povo o diretor.

A última estreia de Mauro Zanatta havia sido A Queda, em 2012, a partir de romance de Albert Camus.

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