
Está chegando às lojas do país a série Meu Primeiro Disco, da Sony Music, que relançará 30 títulos de diferentes artistas de seu elenco (inclusive dos arquivos da RCA, incorporados pela BMG). O diferencial é que, além de trazer de volta ao mercado os primeiros discos dos artistas no formato vinil, em edições limitadas, cada álbum, além de conter o LP original, com áudio remasterizado, traz também o CD, com faixas extras e um projeto gráfico que lembra um minidisco de vinil.
A primeira leva inclui os discos de estreia de Chico Science & Nação Zumbi (Da Lama ao Caos, 1993), Vinícius Cantuária (1982), Engenheiros do Hawaii (Longe Demais das Capitais, 1986), Inimigos do Rei (1989) e João Bosco (1973).
O diferencial da coleção são mesmo os discos de vinil. Eles começaram a sair de circulação no Brasil a partir do fim dos anos 1980 e, nos anos 90, já estavam definitivamente banidos em função da popularização dos CDs (embora, lá fora, o vinil nunca tenha sido extinto e vários artistas ainda lancem discos no formato, com faixas diferentes daquelas presentes no CD).
Dá gosto ver de novo as capas em suas dimensões originais. Desde então, os toca-discos foram também saindo de linha gradativamente (só DJs e audiófilos ainda usam), e as fábricas de vinil do país foram fechadas. A última delas, a Polysom, que fica em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ainda produzia alguma coisa até uns dois anos atrás, antes de também ser fechada. Contudo, a Polysom será reformada e reaberta em breve, pois foi comprada pela gravadora DeckDisk, que pretende voltar a fabricar e lançar discos de vinil neste ano.
"Ainda estamos terminando o processo que irá culminar com a compra efetiva da Polysom, o que deverá ocorrer até o fim deste mês", diz o presidente da DeckDisk, João Augusto. "Depois disso é que iniciaremos o processo de remodelação e reativação da fábrica, o que deverá levar alguns meses. O que podemos adiantar é que estamos na firme batalha para que a fabricação do vinil no Brasil custe bem menos do que quando são fabricados no exterior."
O que é o caso dos discos da Sony, por enquanto fabricados nos EUA. Aliás, para os apreciadores do vinil, os discos foram prensados em boa gramatura e reproduzem um som claro e sem estalos, deixando notável que foram remasterizados. Na coleção, se percebe que o rótulo do disco dos Engenheiros do Hawaii foi trocado com o dos Inimigos do Rei (e, por conta disso, embalados nas capas erradas). O erro será corrigido em breve. O diretor de marketing e vendas da Sony Music Brasil, Marcus Fabrício, não sabe ainda se vale a pena voltar a lançar discos de vinil no Brasil: "O foco deste projeto não está no potencial de vendas. A proposta é trazer de volta ao mercado álbuns representativos da cena musical brasileira e que já estavam fora de circulação. Antes de tudo, é um projeto conceitual, de resgate de catálogo. Claro que o sucesso comercial do projeto possibilitará o surgimento de novas ações. Então, este é apenas o primeiro passo."
Fabrício contou que a meta é lançar 30 álbuns na coleção Meu Primeiro Disco e que a próxima leva inclui Skank, Zé Ramalho, Sérgio Dias e Maria Bethânia.




