Começar do zero foi a missão do cineasta inglês Christopher Nolan ao tomar a frente do projeto Batman Begins, filme que ressuscitou a lucrativa franquia sepultada no cinema depois da desastrosa passagem de Joel Schumacher (responsável pelo fraco Batman Eternamente e pela bomba Batmam & Robin). A mais recente produção do Homem-Morcego está sendo lançada nas locadoras e para venda direta em um DVD duplo.
Diretor do singular Amnésia e do suspense Insônia, Nolan decidiu imprimir uma marca própria na série do herói da DC Comics assim como havia feito Tim Burton nos primeiros filmes da franquia, os autorais Batman (1989) e Batman O Retorno (1992), que estão sendo relançados em DVDs duplos especiais, assim como os trabalhos de Schumacher e, para tanto, participou também da elaboração do roteiro da nova fita.
Toda a parte inicial de Batman Begins é investida no treinamento do jovem milionário Bruce Wayne para ser tornar a figura das trevas que, no futuro, assombrará os bandidos de Gothan City a trama dá ênfase ao tempo passado no Tibete e o encontro com o vilão Ras Al Ghul. Inéditas no cinema, as histórias dos primórdios do personagem criado por Bob Kane foram publicadas em muitas minisséries em quadrinhos. Algumas seqüências da segunda parte seguem um pouco essa linha de resgate, sendo um pouco influenciada por Batman: Ano Um história escrita por Frank Miller (Sin City) e desenhada por David Mazzucchelli, que reconta a origem de Batman (esse clássico dos quadrinhos foi relançado em edição especial no Brasil há poucos meses).
Na seqüência, há um descompasso na produção. Nolan "gasta" 40 minutos de filme nas origens de Wayne além do treinamento, inclui também sua infância, a marcante morte dos pais, a descoberta da caverna que seria sua fortaleza e uma original visão de que o rapaz se tornou um morcego por temê-los. O ritmo é mais lento e a trama mais elaborada. Porém, o foco muda de forma abrupta para uma ação vertiginosa: Wayne retorna a Gothan, vira Batman e começa a perseguir bandidos num estalar de dedos. Parece que, de uma hora para outra, Nolan lembrou que estava dirigindo uma grande produção com orçamento gigantesco (US$ 135 milhões) e elenco estelar, tendo que colocar tudo isto na tela.
Vale dizer que ambas "metades" (a segunda é maior que a primeira) são ótimos filmes. Mas o início de Batman Begins mostra que poderia ser mais interessante se investir completamente numa história mais trabalhada, com uma inspiração maior em Ano Um havia um projeto de filmar a trama de Miller/Mazzucchelli, que seria dirigido por Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho), mas ele foi engavetado , deixando a parafernália tecnológica para uma futura seqüência. Mas os produtores devem ter achado radical demais e arriscado retomar a franquia dessa forma.
Quanto aos atores, Christian Bale vai muito bem sem a máscara e o uniforme, mais fica devendo em atuação com o manto do morcego sua voz sussurrante e sibilante nada tem a ver com a poderosa imagem de Batman (a implicância é um pouco coisa de fã das histórias do herói, mas o galês poderia ter se saído melhor). O restante do elenco tem boas atuações com destaque para Michael Caine (no tom certo do humor ao mesmo tempo irônico e blasé do mordomo Alfred), Gary Oldman (o Jim Gordon perfeito) e Cillian Murphy (um assustador Dr. Jonathan Crane/Espantalho). GGG1/2
Número
US$ 205 milhõesfoi a bilheteria de Batman Begins nos EUA. No Brasil, o filme foi visto por 2,3 milhões de espectadores, sendo o sétimo maior público de 2005.



