
Quando o Planet Hemp encerrou as atividades, em 2002, fazia parte da rotina do polêmico grupo carioca ter de lidar com problemas à espreita por onde passava. Marcada pela causa da legalização da maconha, a banda chegou a ser presa em 1997, em Brasília mesmo ano em que foi proibida de se apresentar no Paraná a pedido do ex-deputado estadual Luiz Carlos Alborghetti (1945- 2009).
Daquela época até o retorno do grupo a Curitiba nesta sexta-feira, no Curitiba Master Hall, os tempos mudaram muito, conforme explica o vocalista Marcelo D2. "A tensão diminuiu pra caramba", conta, por telefone, lembrando que o juiz que mandou prender o grupo no Distrito Federal foi afastado em maio, suspeito de receber propina para dar liberdade a um traficante.
A paixão dos fãs, no entanto se manteve intacta, e a reunião com BNegão (vocal), Rafael Crespo (guitarra), Formigão (baixo) e Pedro (bateria) com exceção do último, todos da formação original tem sido divertida, de acordo com o vocalista. "Estamos matando a saudade, encontrando a galera de novo, é bom pra caramba", diz D2. "O joelho é que não aguenta muito. Hardcore depois dos 40 é f#", brinca.
A energia exigida dos músicos no palco é uma das características do Planet Hemp, que marcou o cenário nacional ao misturar rock pesado com hip-hop e música brasileira. Foram três discos de estúdio Usuário (1994), Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Para (1997) e A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000) , um para cada "ato" do show.
Canções como "Legalize Já", "Dig Dig Dig", "Queimando Tudo", "Ex-Quadrilha da Fumaça" e "Contexto" não devem ficar de fora.
"É interessante porque você vê um pouco da evolução da banda, de como foi mudando o som", explica D2, que diz ter se surpreendido com o retorno do público. "Ficamos dez anos parados. Voltamos e vemos a galera cantando todas as músicas inteiras, é demais", diz o vocalista.
Reunido temporariamente, o grupo havia ficado "devendo" um show em Curitiba depois do cancelamento do GreenFest Brasil, em 2012, festival em que seria uma das atrações principais. "Curitiba sempre foi uma casa para a gente. Foi onde fizemos nosso primeiro show fora do eixo Rio-SP", conta D2. "Decidimos que faríamos essa turnê para fechar o ano e que colocaríamos Curitiba no mapa", diz.
A turnê ganhou um registro em DVD, O Ritmo e a Raiva. "Talvez estes sejam os últimos shows. Não sei se nos reuniremos de novo. Mas não tem nada planejado, nem músicas novas. Estamos fazendo o que tem pintado, o que tem dado vontade", explica D2.



