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Festival de Cannes

O show arrepiante de Lars Von Trier

O polêmico cineasta dinamarquês se mostra mais divertido, mas ainda causa polêmica ao falar sobre seu novo filme, Melancolia, estrelado por Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg

Lars Von Trier (de pé) dirige os atores Kiefer Sutherland, Kirsten Dunst, Alexander Skårsgard e Charlotte Gainsbourg | Divulgação
Lars Von Trier (de pé) dirige os atores Kiefer Sutherland, Kirsten Dunst, Alexander Skårsgard e Charlotte Gainsbourg (Foto: Divulgação)
Alessandra Negrini vive uma mulher abandonada em O Abismo Prateado |

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Alessandra Negrini vive uma mulher abandonada em O Abismo Prateado

Lars Von Trier transformou a coletiva de imprensa de Melancolia, exibido na manhã de ontem para jornalistas, dentro da competição do 64.° Festival de Cannes, em uma espécie de "show do Lars". Em clima bem mais ameno do que a entrevista em sua última aparição no evento, com Anticristo, em que um repórter exigiu que ele explicasse o filme, o diretor fez graça de tudo, soltou coisas para causar polêmica e tentou deixar seus atores embaraçados.

O slogan do longa-metragem diz: "Uma bela história sobre o fim do mundo". E, realmente, não deixa de ser. O cineasta dinamarquês adota o mesmo estilo grandioso e visualmente deslumbrante de seu trabalho anterior para focar na história, dividida em duas partes, de duas irmãs, Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg, que levou o troféu de melhor atriz em Cannes por Anticristo).

A primeira está infeliz já du­­rante a festa de casamento com Michael (Alexander Skårsgard), e a segunda teme o choque do planeta Melancolia com a Terra. As referências são diversas, principalmente do romantismo alemão, mas a maior diferença é que o diretor adota um tom mais benevolente, menos cruel, com seus personagens. Parece que, depois da depressão que ele viveu e que ainda influenciou Anticristo, renasceu com um coração. Novamente, é um filme ao qual não se pode ficar indiferente.

A entrevista até começou séria, com as atrizes Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg falando sobre suas personagens e as mulheres fortes que o diretor cria. Mas aí uma repórter questionou o diretor sobre seu depoimento no material de imprensa de que tinha ficado chocado quando viu o pôster e as fotos de Melancolia, perguntando se ele agora estava feliz com o filme.

"Talvez tenha essa influência do romantismo, de Wagner. Nós nos deixamos levar. Quando vi as fotos, rejeitei um pouquinho", disse. "Eu ainda não tenho certeza se é bom. Talvez seja uma merda. Claro que eu espero que não, mas existe uma grande possibilidade de que não valha a pena."

A partir daí, foram respostas sarcásticas, falsas indiscrições, declarações polêmicas. Nem seus atores foram poupados. "Graças a Deus, Kirsten tem algum conhecimento sobre depressão. Posso dizer isso? Se não, esqueçam. Mas não é verdade, Kirsten?", perguntou para a atriz, que ficou um tanto desconfortável.

Já Udo Kier, que interpreta o organizador do casamento, soltou uma gargalhada quando o diretor disse sobre o ator, abertamente homossexual: "Ele sempre é escolhido para fazer homossexuais. E suas interpretações são fantásticas! Não sei de onde tira isso!".

Mais gargalhadas ainda foram ouvidas quando Von Trier desviou da pergunta sobre suas inspirações para Melancolia para falar sobre seu próximo trabalho. "Kirsten insiste em que eu faça um pornô", disse. "Fizemos essa cena em que ela aparece nua em Melancolia, que não tem nada a ver com o filme. Mas agora ela quer mais, sabe como são as mulheres", disse, brincando com sua fama de misógino.

O cineasta continuou fazendo piada ao contar que estava tentando conversar com Kirsten e Charlotte sobre as falas. "Mas elas não querem diálogos, querem algo bem hardcore mesmo. O filme vai ter três ou quatro horas, e a razão para isso é que a coletiva aqui em Cannes vai ser mais tarde e vamos poder dormir melhor."

Quase no fim da coletiva, deu para sentir um arrepio na sala quando Lars Von Trier começou a falar de Adolf Hitler depois de uma questão sobre a influência germânica em sua vida. "Eu achava que era judeu e estava muito feliz com isso. Mas aí descobri que era nazista, que minha família era alemã. Eu compreendo Hitler. Acho que ele não é um cara legal, mas entendo", disse.

Tendo provocado o efeito que provavelmente desejava, acrescentou, jocoso: "Mas não sou a favor da Segunda Guerra, nem contra os judeus, nem Susanne Bier (diretora de Em um Mundo Melhor). Bem, talvez Susanne. Sou a favor dos judeus, não muito, porque Israel é complicado. E agora, como termino essa frase?". Provocou mais risos da plateia e evidentes calafrios na atriz norte-americana Kirsten Dunst. Lars Von Trier disse que sente ter superado a depressão. Pelo jeito, é verdade.

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