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Obra de Poty tem destino incerto

Maria Luíza da Paz: casa à venda com mural de Poty Lazzarotto | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Maria Luíza da Paz: casa à venda com mural de Poty Lazzarotto (Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo)

Poty Lazzarotto era amigo do já falecido marido de dona Eunice Sena da Paz, de 76 anos, e costumava freqüentar a casa da família para comer churrasco e beber as pingas de coleção trazidas da Bahia. Em 1972, no auge de uma dessas "bebedeiras", o desenhista lançou-se à missão de esboçar inúmeras lendas brasileiras em uma parede azul, próxima à garagem. Depois, "retocou" os desenhos com tinta, envernizou e assinou.

Quase 40 anos depois, a pintura ainda está lá, como parte da intimidade da família. "Ela está tão integrada à casa que ninguém nunca pensava nela como obra de arte", diz Maria Luíza da Paz, uma das filhas de Eunice. Mas o sossego das lendas brasileiras está comprometido desde que a família decidiu colocar a casa à venda – com os filhos crescidos e casados, o imóvel de 600 metros quadrados ficou muito grande para a viúva.

A famíliaestá pensando em modos de proteger a obra de arte. "O comprador terá que assinar um compromisso de que a manterá na parede", diz Maria Luíza. A favor da pintura, está o fato de que na região do Batel, onde o imóvel está situado, é proibido construir prédios – embora estabelecimentos comerciais sejam permitidos.

Maria Luíza entrou em contato com a administração do Museu Oscar Niemeyer para verificar o interesse do espaço pela pintura. "Pensamos em ir até lá conhecer", diz a assessora cultural do MON, Ariadne Mattei Manzi. De acordo com ela, há interesse em adquirir a obra, mas como "não há verba suficiente para a compra de muitas obras", ela espera poder negociar a doação com a família.

A especialista em restauro e conservação do museu, Suely Deschermayer, diz que é possível extrair a obra da parede. "Há uma técnica especial para isso, que deve ser feita por um profissional de restauro da área de pintura mural."

A neta de dona Eunice pretende conversar ainda com o irmão de Poty, João Lazzarotto, que tenta viabilizar a criação de um espaço de exposições dedicado ao artista (leia quadro).

A família também é dona de um entalhe em madeira feito por Poty, em 1970, em um dos painéis da casa. "Ele ficou morando lá durante um mês, esculpindo a talha, enquanto estávamos de férias na Bahia." A obra, denominada São Julião Hospitaleiro, narra a história bíblica do santo que, na juventude, matou os pais acidentalmente e, para purgar-se do pecado, decidiu vagar pelo mundo esmolando e ajudando os necessitados.

O painel de 2,17 x 1,70 metros, localizado no hall de entrada, será retirado com a venda da casa, mas ainda não tem destino certo. "Não há nenhuma talha do Poty à venda. Então, é difícil avaliar o seu valor", diz Maria Luíza. Interessados podem entrar em contato com Eleutério Neto, pelo telefone (41) 3014-4455.

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