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Música

Odair José em busca do seu melhor

Cantor reúne as canções mais importantes de sua carreira em show que apresenta na terça-feira, no Guairão, e que deve virar DVD

O músico goiano vive um momento de renovação de seu público | Arquivo pessoal
O músico goiano vive um momento de renovação de seu público (Foto: Arquivo pessoal)

Havia dez anos que Odair José não se apresentava em Curitiba até o show que fez em 2011 no projeto Quadra Cultural, organizado por Arlindo Ventura (Magrão), no bairro São Francisco.

Menos de dois anos depois, nesta terça-feira, o cantor goiano está de volta – dessa vez, no Guairão. Novamente por iniciativa do proprietário do Torto Bar.

É um projeto de "utilidade pública" de Magrão, que quer levar ao show uma plateia que acredita estar afastada dos teatros. Trata-se também de um serviço a ser prestado para a música brasileira, na visão de Ventura. Para ele, lembrar Odair José é fazer jus aos milhões de discos que o cantor goiano vendeu em seus mais de 40 anos de carreira – sucesso negligenciado pela memória do país. E, ao mesmo tempo, democratizá-lo e livrá-lo do "cult", já que o músico seria um ícone da cultura popular brasileira.

O melhor repertório

O show, que será gravado em DVD com o apoio da RPC TV, ganhou o nome de Praça Tiradentes – título do novo disco de Odair José, lançado no primeiro semestre. Mas o espetáculo é um balanço refinado da carreira do cantor.

"Estou pescando este repertório há três anos, tentando ajeitar, em busca do melhor", conta Odair, em entrevista por telefone para a Gazeta do Povo.

O "repertório ideal", de acordo com o cantor, tem a missão de traduzir sua obra. "Sempre escrevi minhas músicas querendo que o povão se identificasse. Fui por alguns momentos cronista daquilo que eu via no dia a dia das pessoas e registrando o que achava que estava escondido debaixo do tapete e que deveria ser mostrado pela sociedade: o amor do homem pela prostituta, o debate do anticoncepcional em uma época em que não se podia tocar no assunto, a valorização da empregada doméstica", conta.

Traduzindo em canções, não ficam de fora sucessos mais representativos do músico, como "Uma Vida Só" (Pare de Tomar a Pílula)", de 1973.

Duas canções do novo disco são as únicas do show que não vêm da década de 1970. O filtro responde ao bom momento vivido pelo cantor. Odair José foi (re)descoberto e tem um novo (e jovem) público, no compasso de uma revisão do lugar que ocupa, junto a nomes como Wando e Aguinaldo Timóteo, na história da música brasileira. São os artistas reunidos no gênero "brega".

"São as músicas com as quais esse público mais se identifica – as de 1972, 73 e 74. Talvez porque, nessa época, eu era jovem, e fiz música para jovem", especula.

O último álbum contemplado é O Filho de José e Maria (1977) – outro sinal da renovação de sua plateia. Ciente e admirador de um disco maldito em sua época de lançamento, o novo público que descobriu Odair é "mais aberto" e "informado". E o interesse, ele garante, é genuíno.

"Quando dizem que é uma música brega, estão diminuindo o trabalho. Como se fosse malfeita e de mau gosto. Não acho que eu seja tão genial para fugir disso, nem tão ruim a ponto de ser colocado de forma tão menor", diz Odair.

"Não me sinto injustiçado e nem deveria me sentir. Fiz um sucesso danado sem esperar algo daquele tamanho. Mas espero que esse desvio de olhares sobre o meu trabalho se corrija, e que entendam realmente o que faço. Vou ao palco com a maior seriedade, e estou procurando fazer o melhor para que isso aconteça."

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