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Cênicas

Os altos e baixos de Maria Callas

Com Sílvia Pfeifer no papel da diva, espetáculo, que não é um musical, tem direção de Marília Pêra e chega neste fim de semana ao Guairinha

Sílvia e Cássio contracenam sozinhos a peça inteira, que tem cerca de uma hora | Divulgação
Sílvia e Cássio contracenam sozinhos a peça inteira, que tem cerca de uma hora (Foto: Divulgação)
Callas, já na forma de

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Callas, já na forma de

Assim como a soprano Maria Callas (1923-1977) tinha mudanças bruscas de humor, chegando a irritar-se e debochar de repórteres, Sílvia Pfeifer passou da honra ao pânico e à realização no processo de encarnar a diva operística nos palcos. O convite da diretora Marília Pêra veio dias antes do efetivo encaminhamento do texto, período em que a atriz pesquisou sobre a cantora e se encantou com sua história.

Quando viu a quantidade de texto em que estava se metendo, no que seria somente sua segunda experiência no teatro, desesperou-se. "Era tudo muito em cima de mim", relembra. Mas enfrentou.

A encenação de Marília trouxe um certo alívio a Sílvia: as projeções de vídeos, fotos e frases ligados à vida de Callas formam quase uma parceria com a protagonista em cena, além, claro, do ator Cássio Reis, que vive um amigo jornalista da cantora que a visita um dia antes da abertura de uma exposição em sua homenagem.

Ao longo da noite retratada na montagem (15 de setembro de 1977), a situação passa da leveza ao drama, quando Callas relembra situações difíceis por que passou – a morte do filho, o casamento conturbado, o fim do relacionamento com Aristóteles Onassis (1906-1975). "Ela vai se descontrolando, fica irritada e até delirante com as coisas que a atormentam", contou Sílvia à Gazeta do Povo.

Pesquisa

Apesar de não cantar uma nota sequer no palco, a atriz pesquisou tudo o que pôde sobre as árias interpretadas por Callas, assim como sobre sua vida. "As coisas que eu digo são íntimas, só dá para imaginar como eram as reações dela. Mas tudo que é falado é verídico."

Para Sílvia, a origem da fama de descontrolada da diva está na grande exigência com que tratava seu trabalho – e o daqueles que a cercavam.

Uma licença poética assumida pela dramaturgia é a de situar a tal entrevista na véspera da morte da cantora – o que promete trazer um ar ainda mais dramático para o espetáculo.

Por outro lado, há leveza nas movimentações de palco, como nas cinco trocas de figurino, em que o público conhecerá réplicas de alguns dos vestidos portados pela linda diva, que sonhou ser igual a Audrey Hepburn (1929-1993) e conseguiu emagrecer para assumir o porte da atriz norte-americana. Vestidas em manequins ao redor do cenário, as roupas são endossadas pela também magérrima Sílvia.

A voz de Callas poderá ser ouvida em árias entoadas nas gravações. Ao final, "O Mio Babbino Caro", ária da ópera Gianni Schicchi, de Puccini, que se tornou hino para as perdas sofridas pela artista. A preferida de Sílvia ficou de fora: "La Mamma Morta", da ópera Andrea Chénier, de Umberto Giordano, apresentada em 1955 no Teatro alla Scalla de Milão. "Me toca profundamente na voz trágica e grave de Callas."

Ouça a ária "La Mamma Morta", a preferida de Sílvia Pfeifer, em gravação ao vivo de 1955 com Maria Callas:

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