
Curitiba é o que é para o bem ou para o mal não por acaso. Por trás de um sistema de transporte coletivo reconhecido mundialmente, eixos estruturais consolidados, parques e setores específicos estão pilhas e pilhas de projetos preenchidos por linhas que, nas últimas décadas, têm desenhado e redesenhado a cidade. Nos mesmos arquivos encontram-se também as explicações para um transporte coletivo que já dá sinais de saturação e um trânsito cada vez mais caótico. Entre atropelos, erros e acertos a cidade foi se reinventando ou tentando se reinventar a cada novo plano ou a cada inovação somada a uma estrutura já concebida.
A preocupação em planejar a cidade remonta ao século 19, com iniciativas de zoneamento e leis esparsas, mas, sem dúvida, foi com o Plano Agache de 1943 que nasceu o planejamento urbanístico formal de Curitiba. Com noções trigonométricas, o plano, de influência francesa, previa um crescimento da cidade em círculos concêntricos, com avenidas radiais, diametrais e perimetrais. Preparava-se, então, a cidade para um futuro com vias abarrotadas de carros. Implementado homeopaticamente, porém, parte do imaginado para a capital paranaense ficou apenas nas pranchetas.
Na década de 60, um novo plano mudou completamente os rumos do planejamento urbano de Curitiba. O chamado plano Wilheim, detalhado mais tarde pelo então recém-criado Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), determinou que a cidade cresceria de forma linear a partir de eixos estruturais. O carro tomou o papel de coadjuvante e o transporte coletivo entrou em cena como estrela principal do espetáculo.
Com canaletas exclusivas para ônibus e todo um repertório que fez história, Curitiba tornou-se referência em planejamento urbanístico em todo o mundo. De lá para cá, porém, as pranchetas parecem ter ficado menos recheadas de novas ideias e a cidade de inovações, relegando a capital paranaense a se retirar aos poucos do papel de vanguarda que ocupou no passado.



