
A estreia de Os Pássaros, hoje à noite no Teatro Novelas Curitibanas, marca o avanço de um tipo específico de pesquisa cênica pelos espaços de apresentação da cidade. A estética desenvolvida dentro do Núcleo de Dramaturgia do Sesi/PR, chamada por vezes de teatro sensorial e que já teve sessões nos teatros da Fundação Teatro Guaíra, do Sesi e em outras cidades do país, ganha agora a casa tradicional do experimentalismo curitibano (veja o serviço completo no Guia Gazeta do Povo).
O texto, escrito neste ano por um aluno do núcleo, Paulo Zwolinski, ganhou montagem pelas mãos de Don Correa, um dos fiéis seguidores do diretor do grupo de estudos, Roberto Alvim. "Há uma diferença clara, mas há um parentesco, no sentido de compartilharmos os mesmos pressupostos: dar liberdade ao público para que faça suas inferências", contou Correa à Gazeta do Povo, após um ensaio do espetáculo.
Isso porque há várias possibilidades de histórias que se delineiam pela fala dos três atores Maíra de Aviz, Sávio Malheiros e Paulo Alves. Entre as possibilidades, surgem questões de dominação e poder, sexualidade, violência, sonho e relacionamento.
"O público tem de completar os pontos, montar uma trajetória. Não é uma historinha que poderia ser recontada de maneira igual por duas pessoas."
O trabalho com os atores partiu da ideia de que a voz e os movimentos do corpo precisam estar associados. No palco, uma cadeira, uma escada e uma porta compõem o cenário, entre os quais a movimentação é lenta, praticamente sem interação entre os atores.
"O fato de estarmos estáticos não quer dizer que não haja pulsão. Há um movimento interno intenso", contou à reportagem o ator Paulo Alves, que participou no começo do ano da montagem de Haikai, de Alvim, cuja direção lembra em alguns quesitos Os Pássaros.
Uma diferença é que há mais luz no trabalho de Correa que fez assistência de direção em Haikai , mas igualmente existe o uso da penumbra e de lâmpadas led, que conferem sombras muito características ao rosto dos atores.



