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Música

Os velhos baianos

Enquanto Gilberto Gil lança CD patrocinado por empresa privada, Caetano Veloso curte sua nova juventude e Tom Zé continua um maluco criativo

Estopim: O Tropicalismo – ou Tropicália – surgiu no final da década de 1960, por conta da união de vários artistas baianos que participaram do Festival de Música Popular Brasileira promovido pela Rede Record, em São Paulo e pela Rede Globo, no Rio de Janeiro | Divulgação
Estopim: O Tropicalismo – ou Tropicália – surgiu no final da década de 1960, por conta da união de vários artistas baianos que participaram do Festival de Música Popular Brasileira promovido pela Rede Record, em São Paulo e pela Rede Globo, no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)
Ideologia: Seus integrantes acreditavam que, ao contrário de manifestações políticas, novas experiências estéticas seriam suficientes para criar um fator novo capaz de aniquilar a ditadura vigente. Tudo começou em Carmen Miranda |

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Ideologia: Seus integrantes acreditavam que, ao contrário de manifestações políticas, novas experiências estéticas seriam suficientes para criar um fator novo capaz de aniquilar a ditadura vigente. Tudo começou em Carmen Miranda

Canções: Na música, o pop rock e concretismo somou-se ao folclore e a manifestações tradicionais da cultura brasileira, criando gêneros que no seu tempo tornaram-se inovações estéticas. A música-símbolo foi

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Canções: Na música, o pop rock e concretismo somou-se ao folclore e a manifestações tradicionais da cultura brasileira, criando gêneros que no seu tempo tornaram-se inovações estéticas. A música-símbolo foi

Colaboradores: Torquato Neto e Gal Costa também colaboraram musicalmente. O grupo Novos Baianos, composto por Moraes Moreira, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Luiz Galvão teve grande destaque no período |

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Colaboradores: Torquato Neto e Gal Costa também colaboraram musicalmente. O grupo Novos Baianos, composto por Moraes Moreira, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Luiz Galvão teve grande destaque no período

Anarquismo: Nas artes plásticas, o grande nome foi o pintor, escultor e artista plástico carioca Hélio Oiticica, que criava obras de cunho anarquista |

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Anarquismo: Nas artes plásticas, o grande nome foi o pintor, escultor e artista plástico carioca Hélio Oiticica, que criava obras de cunho anarquista

Nas telas: No cinema, o movimento influenciou o chamado Cinema Novo, capitaneado por Glauber Rocha, diretor de Terra em Transe (1967) |

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Nas telas: No cinema, o movimento influenciou o chamado Cinema Novo, capitaneado por Glauber Rocha, diretor de Terra em Transe (1967)

Nos palcos: O teatro do também anarquista José Celso Martinez Corrêa (responsável pela montagem de O Rei da Vela, de 1967), foi igualmente influenciado pelos tropicalistas |

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Nos palcos: O teatro do também anarquista José Celso Martinez Corrêa (responsável pela montagem de O Rei da Vela, de 1967), foi igualmente influenciado pelos tropicalistas

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Juntos, eles têm mais de 120 discos lançados. Se falarmos em músicas compostas, uma enxurrada: elas passam de mil. Suas idades, enfim, somam incríveis 207 anos. Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé, ao lado da banda Os Mutantes, foram os principais pilares musicais do movimento Tropicália, que criou "novos baianos" por todo o Brasil há pouco mais de 30 anos.

Os músicos já têm sua importância. Definitiva e irretocável, cada um à sua maneira. Mas, se antes e juntos criaram um movimento que deu um tapa de luva nos artistas que se enveredavam pelo rock setentista – alguns tiveram a pachorra de cantar em inglês, veja só! – e fizeram com que o brasileiro olhasse para o próprio umbigo mesmo em tempos de ditadura, hoje os artistas acima citados rumam por caminhos distintos. Novamente, cada um à sua maneira.

Ao natural

O ex-ministro da Cultura, por exemplo, acaba de lançar Fé na Festa. Além das nove faixas inéditas (o disco tem 13), todas em clima de São João, Gilberto Gil tornou-se no­­tícia também por um feito nunca antes visto em sua carreira de 56 discos. Pela primeira vez, coloca no mercado um álbum patrocinado por uma empresa privada. A Natura bancou a gravação, o lançamento e a turnê do baiano. O trabalho de Gil engrossa o portfólio do Natura Musical, programa lançado em 2005 que já patrocinou artistas como Arnaldo Antunes, Lenine e Céu, entre outros.

Em 1976, Gil dividia o palco com Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia (Doces Bárbaros) e cantava "Rita Lee, i, i/ Tiu, tiu, ru, ru, ru, Rita Lee, i, i", versos da música "Quando". Neste mo­­mento, o músico está em turnê pelo Nordeste, divulgando suas mú­­sicas festivas nas principais celebrações ju­­ninas da região. No dia 8 de julho, informou sua assessoria, o baiano inicia uma turnê europeia.

Quero ser jovem

O irmão de Maria Bethânia, há pelo menos dois discos, tenta rejuvenescer seu público. Cê (2006) e Zii e Zie (2009), seus últimos trabalhos, trazem composições gravadas com os jovens músicos da BandaCê. Roqueiros, com ótimas e atuais referências, Pedro Sá (guitarra), Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo e teclados), deram impulso original ao compositor de "Leãozinho" e o ajudaram a criar o que o músico chama de "transambas".

O baiano também mantinha um blog até dias antes do lançamento do último disco. A última novidade é o Caetano colunista: o músico foi contratado pelo jornal O Globo e escreve semanalmente. Caetano Ve­­loso envelhece atualizado.

Maluco moderno

Com Tom Zé não tem tempo ruim. Pro­va maior foram os três shows que o músico, com­­positor e jardineiro fez no Teatro da Cai­­xa, há duas semanas. Em termos de disco, o baiano parceiro de David Byrne rema para trás, já que veio divulgar O Pirulito da Ciência, álbum produzido por Charles Gavin (ex-Titãs). O disco resgata os maiores sucessos de sua carreira.

Mas, no palco, Tom Zé é um menino. Pula, se joga ao chão, eleva a perna em uma altura inimaginável para alguém com 73 anos. Também se livra com naturalidade de problemas técnicos e mantém afiado um discurso que parece se perder com o avançar do tempo, embora ganhe reviravolta por vezes genial à medida em que chega às últimas palavras. Tom Zé é um trovador moderno e ainda um criativo de primeira linha – no show, utilizou um violão desmontável para dar coerência física ao seu discurso "desconstrutivista".

A falta que ela faz

Idolatrada e cultuada, a banda Os Mutantes talvez tenha sido a maior logomarca do rock nacional. Desde a formação inicial, em 1966, influencia gerações pelo mundo todo. Os últimos, fãs confessos, foram os norte-americanos Devendra Banhart e Beck, que inclusive trocaram ideias com o guitarrista Sérgio Dias há pouco mais de um mês.

Os Mutantes – que tocaram em Curitiba no dia 8 de maio – acabavam de voltar de uma turnê norte-americana. Foram 32 shows em 40 dias divulgando o estranho e não muito bem recebido disco Haih... Ou Amortecedor, primeiro de inéditas em mais de 30 anos. Os únicos remanescentes da formação original são Dias e o baterista Dinho Leme. Houve tentativas diversas nos vocais, mas ninguém conseguiu substituir Rita Lee.

Mas, para alguns fãs, não importa o que façam e nem quem sejam. São sempre Os Mutantes. É o caso típico em que a marca é maior do que o produto.

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