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Para eles, palhaçada é coisa séria

Felipe Sarrafo e Má Ribeiro receberam o Troféu Gralha Azul de 2014 por trabalhos em que aprofundaram suas pesquisas com a figura do clown

  • Helena Carnieri
"Hoje vejo o palhaço não só como uma técnica teatral, mas algo espiritual", Felipe Ternes, ator
 
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Para eles, palhaçada é coisa séria

O humor é muito mais que um ofício na vida dos atores premiados com o Troféu Gralha Azul de 2014. Tanto para Má Ribeiro quanto para Felipe Sarrafo, a comédia, mais do que um talento, tem sido um chamado quase que existencial.

Hoje com seus nomes artísticos em ascensão na cidade, Mariana Ribeiro (de Apucarana) e Felipe Ternes (de Curitiba) desenvolveram a alma de palhaço em momentos cruciais da adolescência.

"Eu sempre fui o brincalhão, que no momento de uma briga fazia uma tirada para que aquilo se dissipasse", relembra Ternes, hoje com 32 anos.

Isso veio à tona quando a família passou por uma crise. Aos 17, numa ocasião em que irmão, irmã e mãe discutiam, ele conta ter ido para o quarto e passado por eles com a mala da faculdade, nu: "Tchau, gente, tô indo pra aula". Foi o suficiente para aliviar o climão.

A família também influenciou muito na formação profissional de Má, que teve pai músico e mãe artista de teatro. Foi assim que, mesmo sendo muito tímida, ela cantou desde criança e participou de grupos de teatro. "Eu deixava de fazer algumas coisas por timidez, medo. Mas não sei como, acabei saindo até com teatro de rua", conta, explicando por que se embanana ao dar entrevista.

Resta uma lasca daquela menina, hoje com 25 anos. Foi num solo de Ricardo Pucetti, do grupo Lume, de Campinas, que veio o estalo. "O clown não é um personagem. Ele mexe com quem eu sou, com minhas fragilidades e medos, com a forma como enxergo o outro e ele me enxerga", explica Má. "Vai ficando tão profundo que se torna mais do que fazer alguém rir, contar uma piada. É ser tão sincero consigo quanto com o outro."

Encontro

Os caminhos de Má e Sarrafo se encontraram na Cia. dos Palhaços, que ele ajudou a fundar, após um curso de educação física, e onde ela fez seu primeiro curso de palhaço (com Alípio, que se desligou da trupe no ano passado). Depois ela aprofundou essa vertente numa oficina com a canadense Sue Morrison, que incluía máscaras xamânicas.

"O palhaço serve para tudo. Se estou fazendo uma peça mais dramática, ele também está ali. É um estado", conta a atriz.

Durante suas pesquisas, Felipe não chegou a uma conclusão muito diferente, e se convenceu de que existe uma função social para seu métier.

"Algumas tribos indígenas têm a figura do palhaço com uma função social e interferência em conflitos. Hoje vejo o palhaço não só como uma técnica teatral, mas como algo espiritual mesmo", diz.

Estudos sobre o gênero abriram portas à atriz

Má Ribeiro entrou em parafuso quando começou a pesquisa para seu solo da série Bifes_1, em que um grupo de seis atores escolhia um tema pessoal para ficcionalizar. As estrelas, o infinito, a morte, eram tantas coisas enormes que a atriz teve dificuldade em dar o start. Quando focalizou a figura do clown, que vem investigando há alguns anos, foi que encontrou o caminho a perseguir.

"Decidi falar sobre o que sinto, mas não é fácil, mexe muito. Mas ainda estou na superfície do que quero entrar. E o palhaço ajuda a falar disso." Os solos voltam ao cartaz durante o Festival.

Outros trabalhos de Má incluem o grupo de performance Filhas da Fruta e a banda Siricutico, que recentemente lançou um CD infantil. Com canções autorais que falam da nossa região, com direto a bala de Antonina e vocalizes deliciosos, o disco traz uma música que embala e deixa saudade quando acaba.

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