Cabelos longos, vestido transpassado colorido, 26 anos, Gisele Bündchen está mais linda do que nunca. Nesta sexta, ela é a atração da Colcci no desfile que encerra o Fashion Rio na Marina da Glória. No camarim da sessão de fotos para a campanha da marca, conta, no seu estilo torrencial de falar, que está pesquisando para criar uma fundação.
Fotografou para as campanhas de Roberto Cavalli em Ibiza e para a da Victorias Secret, em Saint Barth. A da Colcci, com direção de arte de Giovanni Bianco e Davi Polack como stylist, foi clicada por Gui Paganini.
Para Gisele, a moda não é responsável pelos distúrbios alimentares, que tem afligido as modelos.
Todo mundo sabe que o padrão de modelo é magro. Agora, me desculpa, mas tem gente que nasceu com genética para a profissão. Tem gente que nasceu com voz para ser cantora e outras, não; uns para ser modelo e outros, não. Alguns nasceram para ser Einstein e outros, não. Tu não podes generalizar e dizer que todas as modelos são anoréxicas. Assim como não pode afirmar que todo policial é ladrão.
Para ela, a razão da doença está na falta de base familiar.
Nunca enfrentei esse problema porque tive uma base familiar muito forte. Os responsáveis são os pais e não a moda.
Com 14 anos, Gisele Bündchen passou três meses no Japão sozinha.
Sou de uma família enorme. Tenho cinco irmãs e mais do que isso, uma irmã gêmea que é um grude. Tu sais da tua casa, da proteção dos teus pais e vai para mundo, está sozinha, mas sabe que tem aquele apoio. Sempre fui atlética e queria ser jogadora de vôlei profissional. Minha mãe não deixava ninguém sair da mesa sem acabar o prato conta Gisele, para quem o mais importante é ser autêntica.
Era perseguida na escola pela magreza.
Olívia palito, somaliana, eu era todos esses apelidos. Na moda, me senti aceita. Eu não estava querendo ser modelo.
Famosa aos 17 anos, sentiu-se sozinha.
Percebi que as meninas tinham inveja e se afastavam. Não senti solidão porque sempre contei com minha família.
Sem medo da concorrência, faz questão de dizer que "nunca olhou para o bolo do outro". Nunca comprei essa história de sucesso. Quando termino um trabalho, não levo a Gisele Bündchen para casa.
A modelo continua interessada em cinema e tem recebido vários roteiros, que ainda não teve tempo para ler.
Já fiz duas participações pequenas no cinema, mas da próxima vez que for trabalhar, quero ter tempo para estudar.
E Leonardo Di Caprio? Emocionada, mas sem perder a firmeza, responde:
Não vou falar da minha vida pessoal. Ele é maravilhoso, uma pessoa sensível e inteligente. Tudo o que acontece na vida da gente, faz a gente crescer e evoluir.



