Que o CD morreu, já se sabe. Só falta enterrar. Mas nem todo mundo tem o equipamento e o tempo necessários para baixar músicas pela internet, como a garotada que cresceu com o mouse na mão faz a torto e a direito. Para os "sem-download", o disco físico ainda é uma realidade, por mais caro que seja. No Brasil, paga-se em média R$ 30 por um produto que custa menos de R$ 6 para o fabricante. E o pior: lançamentos internacionais importantes continuam sendo sumariamente ignorados pelas gravadoras instaladas no país. Como não se faz boiocote por estas plagas, o desrespeito ao consumidor prevalece.
Mas é Natal, e uma seleção de dicas de CDs para dar de presente continua fazendo sentindo em 2007 até quando, ainda não dá para saber. Não se trata, porém, de uma lista com os melhores álbuns de música popular (nacionais e gringos) da temporada. São apenas indicações que não vão chocar aquele amigo secreto que você não conhece muito bem. Se ele já não for um garimpador de sons pela internet, claro.
MPB
Cê Caetano Veloso (Universal, R$ 40 em média).
Interessado na sonoridade do rock alternativo contemporâneo, Caetano deixou a pompa de lado para gravar um disco cru e direto. A formação básica baixo-guitarra-bateria guia todas as faixas, executadas por uma banda de jovens músicos cariocas. Nas letras, ecos do momento "livre, leve e solto" do cantor, recém-separado da mulher, Paula Lavigne.
Mar de Sophia Maria Bethânia (Biscoito Fino, R$ 39 em média)
Em plena atividade, a cantora lançou, simultaneamente, dois CDs inspirados nos rios e mares. Mar de Sophia é o melhor, com canções de Vinicius de Moraes, Chico César e Arnaldo Antunes, entre outros. Destaque para a participação do "bruxo" da percussão Naná Vasconcelos.
Acústico MTV Lenine (Sony-BMG, R$ 30 em média)
O exaurido formato acústico ganhou fôlego pelas mãos de Lenine, que fez questão de incluir músicas inéditas no projeto. Mas o barato, aqui, são os novos arranjos, movidos a cordas e sopros, para seus grandes hits. Até a manjada "Jack Soul Brasileiro" ganhou sobrevida.
Dois Quartos Ana Carolina (Sony-BMG, R$ 49 em média)
Vai vender que nem pão quente, mas você não é obrigado a comprar. Desta vez, pelo menos, a cantora mineira pega mais leve nos gritos e ensaia uma certa suavidade vocal. Só que o CD é duplo, e 24 faixas de Ana Carolina são dose para leão!
Pop-rock nacional
Mutantes Ao Vivo Os Mutantes (Sony-BMG, R$ 54,90 em média)
Saudosismo à parte, o retorno da mais clássica banda do rock brasileiro surpreende pelo refinamento imposto pelos irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista na condução da empreitada. O que torna o CD duplo, registro de um show em Londres, obrigatório para qualquer fã do gênero.
Perfil Los Hermanos (Som Livre, R$ 25 em média)
Prestes a completar dez anos de carreira, a banda mais influente da atualidade ganha sua primeira coletânea. Sem surpresas, a seleção prioriza as músicas mais conhecidas do grupo carioca, de "Anna Júlia" a "O Vento". Uma boa introdução para os não-iniciados.
Balanço das Horas Max de Castro (Trama, R$ 30 em média)
O filho de Wilson Simonal estreou bem, em 2000, mas emendou dois discos irregulares. Voltou à forma neste ano, com um CD ao mesmo tempo plural e conciso. O segredo está na banda de apoio: enxuta, porém capaz de sintetizar rock, samba, jazz e funk numa mesma canção.
Tem Cor Age ZÁfrica Brasil (YB Music, R$ 15 em média)
Se a sua má vontade com o rap nacional continua, este disco pode mudar seus (pre)conceitos. Acompanhado de um timaço de músicos convidados, o grupo paulista vai além das batidas secas que caracterizam o gênero por aqui. Pena que as letras ainda sejam tão ingênuas...
Alternativo
Pieces of the People We Love The Rapture (Universal, R$ 30 em média)
É comum as bandas se repetirem no segundo disco, com medo de perder os fãs de primeira hora. Não foi o caso do Rapture, que encharcou seu rock dançante com todo tipo de influência do glam ao jazz, do hard ao funk. O resultado é um disco festeiro, porém cerebral. E com uma das melhores capas do ano.
Show Me Your Bones Yeah Yeah Yeahs (Universal, R$ 30 em média)
Atração da edição local do TIM Festival, o trio nova-iorquino acertou a mão nas composições em seu segundo trabalho. A vocalista Karen O continua com o carisma em alta, mas quem manda mesmo no pedaço é o guitarrista Nick Zinner, um dos mais criativos da nova geração.
Broken Boy Soldiers Raconteurs (Sum, R$ 30 em média)
O projeto paralelo de Brendon Benson e Jack White (da banda White Stripes) rendeu um dos hinos de 2007, a irresistível "Steady, as She Goes". E se o resto do álbum não traz outro hit desse quilate, ao menos faz a alegria dos fãs do rock setentista, em especial do Led Zeppelin.
Sams Town The Killers (Universal, R$ 30 em média)
Vinda de um primeiro disco repleto de hits, a banda de Las Vegas arrisca o pescoço no novo trabalho. Deixa um pouco de lado os anos 80 para mergulhar numa mistura improvável de Queen e Bruce Springsteen. Um disco de gosto duvidoso, ainda que tenha seu charme.
Pop-rock internacional
Stadium Arcadium Red Hot Chilli Peppers (Warner, R$ 50 em média)
Em um ano fraco para o rock "de massa", a volta dos Peppers foi um dos poucos lançamentos dignos de nota. Há quem diga que o grupo se repetiu neste álbum duplo, abusando de fórmulas usadas desde os anos 80. Seja como for, o quarteto agora fala para uma terceira geração de fãs, que fez de Stadium Arcadium um dos discos mais vendidos de 2007.
Modern Times Bob Dylan (Sony-BMG, R$ 30 em média)
Aos 65 anos, Dylan está mais em voga do que nunca. Não à toa, tornou-se o artista mais velho, e ainda vivo, a ter um disco no topo das paradas americanas. Modern Times, também aclamado pela crítica, é uma espécie de inventário pessoal do século 20. Satisfação garantida.
Once Again John Legend Sony-BMG, R$ 30 em média)
Em seu segundo CD, o cantor e pianista John Legend se mantém elegante em faixas que misturam soul, jazz e r&b. Com uma diferença: Once Again leva assinatura de produtores de hip-hop, que azeitaram sua música com um bem-vindo tempero dançante.
Alright, Still Lily Allen (EMI, R$ 35 em média)
À primeira vista, a inglesa Lily Allen soa como um embuste. Tem 21 anos, gosta de criar polêmica e escreve canções despudoradamente pop sobre assuntos banais. Essa aparente superficialidade, porém, é o trunfo de sua estréia, recheada de temas radiofônicos.



