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Literatura

Philip Roth se despede do público em última entrevista na TV

"Cheguei ao fim. Não tenho mais nada para escrever. Sentia medo de não ter nada o que fazer. Estava aterrorizado de fato, mas sabia que não fazia mais sentido continuar"

O escritor americano Philip Roth, de 81 anos, confirmou que não voltará a escrever e nem a aparecer em público em sua última entrevista na televisão, a qual vai ao ar na noite desta terça-feira na "BBC".

Trata-se da última aparição pública do escritor que ganhou um prêmio Pulitzer por seu livro "Pastoral Americana".

Em 2004, o autor americano afirmou que não imaginaria "uma vida sem escrever" e, por isso, acabou sendo questionado pela "BBC" em um documentário gravado em sua casa em Manhattan (EUA). Dividido em duas partes, o documentário vai ao ar nestas terça (20/5) e quarta-feira na rede britânica.

"Estava errado. Cheguei ao fim. Não tenho mais nada para escrever. Sentia medo de não ter nada o que fazer. Estava aterrorizado de fato, mas sabia que não fazia mais sentido continuar. Não conseguiria nada melhor e, neste caso, para que piorar?", revelou Roth durante o documentário.

"Me reservei a grande tarefa de não fazer nada. Passei muito bem nos últimos três ou quatro anos", disse Roth ao abordar o período em que se dedicou a ajudar Blake Bailey, o escritor encarregado de sua biografia.

"Farei tudo o possível para seguir vivo até 2020 (quando a biografia será apresentada), mas não me pressionem. Agora que não escrevo, só quero conversar. Adeus, adeus", brincou Roth ao se despedir.

O escritor, nascido em Nova Jersey em 1933, explicou que tem milhares de arquivos distribuídos em duas casas e que esse material deve ser usado por Bailey em sua biografia.

Em 2012, Roth, tido como um dos quatro escritores vivos mais importantes pelo crítico literário Harold Bloom, já havia anunciado que "Némesis" (2010) seria seu último livro.

Entre as obras do escritor se destacam a coleção de contos "Goodbye Columbus", lançada em 1959, e "O Lamento de Portnoy" (1969), além da trilogia composta por "Pastoral Americana" (1997), "Casei com um Comunista" (1998) e "A Mancha Humana" (2000).

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