
São Paulo - Ghost writers são seres anônimos que escrevem para a glória alheia. Essa curiosa (e às vezes trágica) situação foi tema de Chico Buarque em Budapeste, romance filmado por Walter Carvalho. Roman Polanski aborda o mesmo tipo de personagem em O Escritor Fantasma, belo thriller político que estreia neste fim de semana em Curitiba (confira a programação completa).
Ewan McGregor interpreta esse personagem, sem assinatura, que assume uma tarefa interrompida por seu antecessor: escrever as memórias de um poderoso político britânico, agora em retiro em uma ilha na costa norte-americana. Sem emprego, o escritor aceita a oferta, bastante tentadora do ponto de vista financeiro, e viaja aos Estados Unidos para conhecer o manuscrito inacabado e entrevistar o ex-primeiro-ministro.
O filme se cola a algumas referências bem reais Adam Lang (Pierce Brosnan) é clara alusão a Tony Blair, o primeiro-ministro que envolveu seu país na invasão do Iraque. A sombra de uma guerra causada por interesses econômicos inconfessáveis, insinuações de corrupção entre homens públicos e todo um maquinismo político que aniquila pessoas comuns são vistos na contraluz desse filme poderoso.
Há nele a presença do escritor fantasma como substituto do investigador aquele tipo que tem uma tarefa a realizar (no seu caso, escrever um simples livro autoindulgente), mas a extrapola. Acaba descobrindo o que não deve e por isso paga seu preço. No fundo, descobre o que deve, que a realidade não é tão benigna como parece, que supostos heróis podem ser vilões e vice-versa. Tudo se embaralha, num mundo de sombras em que fica difícil, senão impossível, distinguir os bons dos maus.




