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G Indica

Planeta Terra

DVD

(Planet Earth. Reino Unido, 2006). Produzida por Alastair Fothergill. Documentário. 440 min. Classificação indicativa: livre

O documentário em dez episódios produzido pelo canal BBC em parceria com o Discovery Channel e a NHK se fez com a propaganda de retratar o globo terrestre de uma forma nunca vista antes. Isso não é pouco, já que produções do gênero abundam na te­vê paga e ocupam a grade de vários canais temáticos, como nas muitas versões do próprio Dis­covery, no Animal Planet e no Na­tio­nal Geographic Channel. O fato é que Planeta Terra faz uso de efeitos digitais de forma inédita. Ele utiliza recursos de computador para mostrar, por exemplo, a passagem do verão para o outono em uma floresta sazonal gigantesca, num processo que pode ser visto do espaço. Os episódios abordam regiões específicas e são divididos em "Grandes Oceanos", "Mon­tanhas", "Ca­­ver­­nas", "Desertos" e ou­­­tros seis. As i­­­­ma­­­­­­­gens são fantásticas e a narração de sir Richard Attenborough (ator e diretor britânico), na versão inglesa, soa como música. Cada episódio tem um diário de filmagens entre os extras, mas é uma pena que somente parte do processo é mostrada. Terá sido de propósito, apenas para manter o encanto dos filmes? (IN)

DVD: Valsa com Bashir

(Vals Im Bashir. Israel/França/Alemanha, 2008). Direção de Ari Folman. Animação. 87 min. Classifi­cação indicativa: 16 anos. Disponível para locação

Aos 19 anos, o cineasta israelense Ari Folman serviu às Forças de Defesa de Israel e lutou na Guerra do Líbano, em 1982, conflito marcado pelos massacres de Sabra e Chatila, que vitimaram milhares de civis palestinos. Ao longo dos anos, Folman enterrou as memórias daquele trágico episódio em algum lugar seguro de sua mente, ressuscitadas após o encontro com um amigo que havia participado do mesmo combate. Na tentativa de recuperar suas memórias e mostrar ao mundo uma visão nada glamourizada da guerra sob o ponto de vista de um jovem soldado, Folman tornou-se protagonista e diretor do documentário em animação Valsa com Bashir. A combinação dos desenhos do também israelense David Polonsky à narrativa fragmentada de Folman resultou em um retrato denso e surrealista da guerra, embalado por canções de grupos pós-punk como OMD ("Enola Gay") e PiL ("This Is Not a Love Song"). Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado e vencedor do Globo de Ouro na mesma categoria, merecidamente. (JG)

CD: Nervoso e Os Calmantes

Midsummer Madness. PReço médio: R$15

Saudades de Minhas Lembranças (2004) foi o primeiro trabalho-solo de André Paixão, carioca mais conhecido como Nervoso. No disco, rock Jovem Guarda e uma espécie de música brega com cara de deboche, que se aninhavam de maneira interessante a metais e a backing vocals assobiáveis. Cinco anos passados e finalmente um novo álbum, agora com banda completa. Nervoso e Os Calmantes devolveu Paixão ao estúdio e aos palcos – figura importante do rock independente brasileiro, o músico já trabalhou com os grupos Autoramas, Beach Lizards e Matanza. No novo disco, Nervoso corre em busca de outras sonoridades sem perder o rumo canhestro. Sai – só um pouco – de cena a influência direta de um Roberto Carlos roqueiro para embarcar em "Universo Vocacional", música cheia de guitarras próximas do rock alternativo norte-americano. Entre as 15 faixas, country rock ao violão e até uma aproximação esquisita com a música latina em "Eu Que Não Estou Mais Aqui". As letras, cantadas com sotaque carioca quase exagerado, no limite, continuam sendo destaque. (CC)

Revista: Serrote 2

Matinas Suzuki Jr., Rodrigo Lacerda e Samuel Titan Jr. (editores). Instituto Moreira Salles, 224 págs., R$ 29,90

Dá prazer ver o bom gosto da Serrote. A segunda edição da revista editada pelo Instituto Moreira Salles tem capa e caderno de imagens de Philip Guston, artista plástico amigo do escritor Philip Roth (que chegou a entrevistá-lo para o livro Entre Nós). Uma das seções é dedicada às comédias clássicas do cinema – citando Cha­plin, Keaton e Lloyd – e inclui quatro textos (o de James Agee é ótimo). O lado quadrinista de John Updike aparece em ensaio e desenhos, enquanto Gore Vidal fala sobre Tarzan e o talento de Edgar Rice Bur­roughs, seu criador, para escrever cenas de ação. O volume tem ainda Enrique Vila-Matas, Raymond Carver, Alexander Calder e a carta engraçada que Groucho Marx escreveu para os irmãos Warner quando estes ameaçaram processar os Marx por usar o nome "Ca­sa­blanca" em um filme, embarcando no sucesso do drama homônimo estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Todas as fotos que ilustram a edição são lindas – a começar pela que abre a revista, com o Gordo e o Ma­­­gro. (IN)

DVD: Live at Kilburn

The Who. Duplo. Coqueiro Verde Records. Preço médio: R$ 35,90

Na década de 1970, a banda inglesa The Who era reconhecida por sua inigualável performance ao vivo. Os pulos do vocalista Roger Daltrey e os atos "violentos" de Pete Townshend contra sua guitarra são celebrados ainda hoje. Com The Who – Live at Kilburn, lançado ano passado nos Estados Unidos e Inglaterra e que agora chega ao Brasil, é fácil perceber porque. Parte do concerto, realizado em 1977, foi pensado para o documentário The Kids Are Alright, o que confere qualidade extra aos quesitos técnicos. O show também foi um dos últimos do revolucionário baterista Keith Moon, morto um anos depois, vítima de overdose de medicamentos. Após o "boa noite" inicial, "I Cant’ Explain", a primeira das 31 faixas. A música marcou o show histórico que a banda fez no festival de Wo­­odstock, em 1969. A balada "Behind Blue Eyes" é entoada por milhares de fãs momentos depois. "My Ge­­­neration" é to­­cada duas ve­zes. O bis fecha o segundo DVD, que também traz um extra que completa o pacotão: há um show inédito no London Coliseum, realizado em 1969. (CC)

Livro: Eu Te Amo, Phillip Morris

Steve McVicker. Planeta, 251 págs., R$ 39,90. Jornalismo

Eu Te Amo, Phillip Morris é, antes de tudo, a história de um vigarista. Não um desses comuns. É o relato de um dos vigaristas mais espertos que os Estados Unidos já conheceram: Steven Russell. Contada pelo jornalista Steve McVicker, a vida de Russell parece ficção. Antes um pai de família, cristão, policial dedicado e bom vizinho, Russel torna-se um especialista em golpes, bon vivant, e criminoso procurado. Por conta de um estilo de vida glamouroso, Russell vive um constante entra e sai da cadeia. As entradas devem-se aos seus inúmeros golpes financeiros. Já as saídas ficam por conta da engenhosidade do detento, que passa-se por juiz, advogado e policial para deixar a cadeia. Sempre em uma sexta-feira 13 – Russell é um superticioso – e sempre com o ob­­­jetivo de encontrar Phillip Morris, seu amante gay – Russell é também um romântico. O livro, narrado com leveza por McVicker, está virando um filme com Jim Carrey e Rodrigo Santoro, com estreia prevista para abril do ano que vem. An­­­tecipe as risadas (ou lágrimas) com essa mistura de Brokeback Mountain e Bonnie e Clyde. (GV)

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