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Opinião

Poesia lírica e brutal cresce no palco

Leprevost em seu habitat: poesia para o palco | Vilma Slomp / Divulgação
Leprevost em seu habitat: poesia para o palco (Foto: Vilma Slomp / Divulgação)

O mundo não é mesmo grande coisa, ainda que seja o único lugar "para cantar canções baixinho e ter inspirações e andar por aí olhando tudo" como prega o poema do beat Lawrence Ferlinghetti.

Texto usado como mote para o ótimo show A Felicidade Nem Sempre é Muito Engraçada, que o poeta e compositor Luiz Felipe Leprevost levou ao Barracão EnCena no último fim de semana.

Não o via em ação desde o show arrasa-quarteirão da Corrente Cultural 2012, na Boca Maldita.

Na primeira canção, pensei: que grande desperdício se Leprevost levasse a sério seu plano de dar um tempo na música para se dedicar a outro métier. O lugar dele é no palco, cantando, urrando sua poesia pop urbana, cheia de sacanagem e também de inteligência e sensibilidade. Canções como "Aquela Menina" e "Se Você Não Me Amar" são algumas das melhores compostas no país nos últimos anos.

Musicalmente, o poeta achou a formação ideal para acompanhá-lo. O multi-instrumentista Eugênio Fim, na guitarra, vocais e programações, e o excelente percussionista Randsom Moreira. Enxuto, direto e eficiente.

O show teve participações que funcionaram muito bem, como a do cantor Botika, do Grupo Fato, e Rogéria Holtz. E outras, nem tanto, como a de Michelle Pucci e de Adriano Esturilho.

Aliás, se houve pecado foi o do excesso. Com um figurino extravagante (talvez até demais), Leprevost assume uma postura ora agressiva, ora desconcertada; oxímora persona de "exibicionista-tímido".

Me parece que, quando deixa seu lado teatral tomar conta, Leprevost sacrifica um pouco a própria carne, pois coloca em segundo plano o que faz melhor do que ninguém de sua geração: letras e poemas que são um tapa nos cornos. Líricos e brutais, com vocação para chocar e emocionar.

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