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Música

Porque a vida vem em ondas

Apesar de criada e "formada" em Salvador, Jussara Silveira nasceu na pequena cidade mineira de Nanuque. A família da cantora também tem raízes interioranas, do sertão da Bahia. Isso explica o fascínio de Jussara pelo mar, tema do quarto – e mais pessoal – álbum de sua carreira. "Não queria fazer nada temático, só que o assunto já bate forte na minha cabeça faz tempo", diz a intérprete, que viu uma praia pela primeira vez ainda garota, em Conceição da Barra, no Espírito Santo.

Gravado com o patrocínio da Petrobrás, Entre o Amor e o Mar chega ao mercado ao mesmo tempo em que Maria Bethânia lança não apenas um, mas dois discos sobre os rios e mares. Difícil concorrer, não? "Que nada. É um tema inesgotável. Foi engraçado, uma feliz coincidência", despista, para depois considerar Bethânia "uma referência da vida inteira". Seja como for, a inspiração marítima é uma constante na trajetória de Jussara, cujo currículo inclui um CD só com músicas de Dorival Caymmi (o cantor do mar por excelência) e a participação na compilação temática Canções do Mar – ambos lançados, respectivamente, em 1998 e 1999.

Entre o Amor e o Mar traz 12 canções, dez delas inéditas, de gente como Adriana Calcanhoto, Itamar Assumpção, Roque Ferreira, Quito Ribeiro, Rômulo Fróes e o já citado Caymmi. Juntas, formam um mosaico de sensações que contém um pouco da história da cantora. Não por acaso, o CD abre com "Só" (Guilherme Wisnik e Vadim Nikitin), composição de nítida inspiração interiorana que poderia muito bem simbolizar a infância da cantora. Em seguida, vem a faixa-título, apresentada a Jussara há dois anos pelos amigos Ná Ozetti e Luiz Tatit e que serviu como pontapé inicial do trabalho. "Eu que inventei esta ocasião/ De contemplar o mar/ Até a espuma brilhar/ E a visão embaralhar", diz a letra, uma sugestão do primeiro encontro de alguém com o mar.

Segue-se "Morena do Mar" (Caymmi) e a instrumentação, até então baseada apenas em voz e piano (ou violão), ganha o reforço – e o vigor – de outros instrumentos. Entra em cena também o violonista Luiz Brasil, produtor do álbum e parceiro de longa data da cantora. É ele o responsável pelos arranjos enxutos que guiam Jussara até a penúltima faixa – na última, "O Nosso Amor É Maior" (Péricles Cavalcanti), ela volta a ser acompanhada apenas pelo violão de Arthur Nestrovksi.

Como a sonoridade que pontua Entre o Amor e o Mar, a performance de Jussara Silveira se alterna entre o elegante e o despojado. Um registro vocal único, quase perdido num cenário dominado basicamente por dois tipos de intérprete: as teatrais e as pseudo-cool. Entre o grito e o sussurro, o equilíbrio de Jussara chega como um verdadeiro alívio auditivo. GGG1/2

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