A Band preparou uma superfesta para a primeira entrega do Grammy latino fora dos Estados Unidos, dedicado às nove categorias brasileiras. Tudo muito bom, mas na hora das premiação não havia um troféu a ser entregue aos ganhadores: todos iam receber em casa. E pior: só se via os ganhadores através de um clipe relâmpago enquanto os apresentadores de cada prêmio faziam uma pequena louvação aos ganhadores.
Apenas duas comemorações ao vivo foram mostradas, a do CPM 22 por melhor álbum, "Cidade cinza". Eles pularam na platéia, um dos apresentadores, Supla, falou "sei lá, vem aqui", mas nada aconteceu. Chitãozinho e Xororó ganharam de música tradicional regional ou de raízes por "Grandes clássicos sertanejos - Acústico 1" e pularam nos bastidores. Foi logo depois de eles se apresentarem junto com o sanfoneiro gaúcho Renato Borghetti na canção "Brincar de ser feliz".
Não houve grandes premiados, mas uma surpresa. Na categoria de melhor canção, pela primeira vez foi incluída uma canção gospel, "Som da chuva", de Soraya Moraes, que ganhou. Soraya também levou de melhor disco gospel de língua portuguesa, incluída nas categorias gerais do Grammy Latino, apesar de se tratar de prêmio para o Brasil. Além dela, dois indicados nas categorias gerais venceram: os engenheiros Moogie Canazio e Luiz Tornaghi como melhor engenharia de som pelo álbum "Dentro do mar tem rio", de Maria Bethânia. E o duo Sérgio e Odair Assad pela melhor composição clássico contemporânea "Tahhiyya Li Ossoulina".
Além dessa premiação sem premiados houve mais dois micos. As Irmãs Galvão, Marilena e Meire, que apresentaram o prêmio ganho por Chitãozinho e Xororó abriram o envelope e leram "o vencedor é Seu Jorge", fizeram uma cara de não entendi nada e perceberam que estavam com o envelope errado. Resultado: anteciparam o prêmio de melhor álbum de música popular para "América Brasil - o disco". Seu Jorge bateu Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberta Sá e Maria Bethânia, esta com duas indicações, na categoria.
O outro mico foi quando dois "cômicos" do programa CQC seqüestraram a apresentadora Daniela Cicarelli do palco, foram para a rua, enfiaram-na numa limusine branca e cantaram uma música para ela na esperança de um deles ganhar um Grammy(???). Isso levou um tempão. À certa altura Cicarelli disse que aquilo era uma palhaçada. Acertou em cheio. E o apresentador Marcelo Tas prometeu que não aconteceria de novo.
O programa foi intercalado com trechos da premiação do Grammy Latino em Houston, algumas desastradas como na apresentação do melhor álbum tropical, que os brasileiros não têm a menor idéia do que se trata. Mas rolaram bons números musicais de Juanes ("Me enamoras") e Julieta Venegas ("El presente") ao acordeon cercada de acordeonistas.
Teve um com Gloria Estefan, Santana e José Feliciano, mas este é melhor fingir que não aconteceu. Entre os brasileiros, o Sepultura repetiu o que faz num anúncio e cantou uma bossa nova, "Garota de Ipanema", a mais surrada de todas, e emendou com o fraco rockão "We've lost you".
Nelson Sargento, do alto de seus 86 anos, apresentou com Marcelo D2 "Dor de verdade". Bacana. Pitty e Egar Scandurra tocaram Raul, "Não pare na pista", médio. A bela Marina de la Riva mandou muito bem com "Tin tin deo - o xote das meninas" com Cubanos e Pepeu Gomes na guitarra.
No final uma homenagem a Carmen Miranda que completa 100 anos de nascimento em 2009 e Marcelo Tas disse que se tratava da abertura das celebrações. Daí teve as bonitinhas Paula Toller e Sandy em "E o mundo não se acabou", Gilberto Gil gastou adjetivos e sinônimos para elogiar a brasilidade da cantora portuguesa com suas bananas e balangandãs. Para fechar a noite, Daniela Mercury e os Mutantes em "O que é que a baiana tem" que, de tabela, também louva o mestre Dorival Caymmi, autor da canção, recém partido.
Quando Tas e Cicarelli deram por encerrados os trabalhos, a emissora não passou a transmitir a premiação que continuava em Houstuon, deixando na mão, já quase uma da manhã, os insones que acompanharam tudo até aquela hora. Foi mal Band.



