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Cinema

“Procuro não moldar minha trajetória pelo olhar do público”

Audrey Tautuu, que esteve no Brasil para divulgar o filme Uma Doce Mentira, fala à reportagem sobre sua carreira como atriz na França e nos Estados Unidos e as constantes comparações com sua personagem Amélie Poulain

  • Annalice Del Vecchio
Em Uma Doce Mentira, Audrey Tautou vive uma jovem cabeleireira às voltas com a mentira numa comédia romântica |
Em Uma Doce Mentira, Audrey Tautou vive uma jovem cabeleireira às voltas com a mentira numa comédia romântica
 
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Em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), a personagem-título realiza, à la Pollyana, pequenos gestos para ajudar as pessoas ao seu redor a se sentir mais felizes. A começar pelo nome, há semelhanças entre Amélie, criação de Jean-Pierre Jeunet que consagrou a atriz Audrey Tautou, e Emilie, a jovem cabeleireira que ela protagoniza na comédia romântica Uma Doce Mentira (2010), de Pierre Salvadori, longa-metragem que deve estrear no Brasil nos próximos meses.

A personagem da vez quer fazer feliz a mãe, desconsolada pela separação do marido, nem que para isso precise inventar as tais “mentiras verdadeiras” que intitulam o filme (é este o título original, em tradução literal) e que envolverão os personagens nas situações mais disparatadas.

E Audrey Tautou se incomoda em ser sempre comparada à A­­­mélie? “Pas de tout!”, responde aos jornalistas que a entrevistaram, incluindo a repórter da Gazeta do Povo, durante sua estada no Rio de Janeiro, onde esteve para participar dos debates do filme, que integrou o Festival Varilux de Cinema Francês, encerrado no último dia 16.

“Para mim é um cumprimento ser lembrada por um personagem que tive o prazer de interpretar, mas procuro não moldar minha trajetória pelo olhar do público”, diz firme, mas simpática. De tipo físico mignon – ela muito pequenas e magra pessoalmente –, Audrey volta a protagonizar uma comédia romântica após encarnar a estilista Coco Chanel no drama Coco, Antes de Chanel (2009). Agora, ela é a garota que, cansada de ver a mãe deprimida, decide repassar a ela as cartas de amor anônimas que recebe de seu tímido empregado Jean (Sami Bouajila).

Na vida real, a atriz conta que não seria capaz de repetir os atos de Emilie. “As mentirinhas que se contam ligadas à polidez são ok, mas as grandes mentiras são muito perigosas. Não se pode forçar a felicidade a alguém que a recusa”, conta ela, que amou encenar um novo filme de Pierre Salvadori, com quem já havia trabalhado em outra comédia tão rocambolesca quanto esta última, Amar... Não Tem Preço (2006), sucesso de bilheteria na França. Neste filme, ela é uma interesseira que conquista um garçom após confundi-lo com um milionário e, ao descobrir o erro, o abandona.

“Emilie é uma personagem que adorei fazer. Ela é, por vezes, detestável, tamanha é a sua capacidade de manipulação, e muito egoísta, mas faz tudo cheia de boas intenções e com grande leveza”, diz. Ela também gosta do modo como Salvadori dá a esta história de amor moderna pitadas de anacronismo. “Cartas são algo que a gente guarda. Hoje, a declaração de amor é feita por torpedo, mas a carta ainda é o único modo de se manter anônimo”, diz.

Descoberta por seu papel em Instituto de Beleza Vênus, que lhe rendeu o César de melhor revelação feminina em 2000, Audrey conta que analisa três questões antes de aceitar um papel: o roteiro, o diretor e a equipe. “Procuro ver se a visão do diretor para aquele roteiro vai me levar a algum lugar. Isso me permite evoluir”, afirma. Foi isso que a fez participar de produções bem-sucedidas como Albergue Espanhol (2002) e Bonecas Russas (2005), de Cédric Klapich, e do drama Coisas Belas e Sujas (2002), de Senay Gelik.

Mas parece não se mostrar muito entusiasmada em consolidar uma carreira em Hollywood, iniciada na produção norte-americana O Código da Vinci (2006), que protagonizou ao lado de Tom Hanks. “Foi uma experiência surreal”, diz, um tanto vaga. “Mas estou satisfeita com a qualidade dos papeis que desempenho na França.” A exemplo de outras atrizes franceses, como Sandrine Bonnaire e Catherine Deneuve, que também estiveram no país para participar do Festival Varilux, Tautou se diz “mimada” pelo destaque que o cinema francês dá às mulheres de todas as idades. E gostaria de ver mais filmes como o brasileiro Central do Brasil, de Walter Salles, protagonizado por Fernanda Montenegro. “É fantástico que uma mulher tenha um papel desses”, diz.

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