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Estréia

Provocação é adaptação inteligente de John Irving

O escritor norte-americano John Irving é cultuado pela comunidade cinematográfica. Suas histórias, profundamente humanas, tem um elemento a mais que faz toda diferença: exímio narrador, o escritor é capaz de conduzir o leitor a um universo paralelo, onde o bizarro e o inusitado parecem menos excêntricos e mais naturais. Entre os filmes baseados em seus romances estão O Mundo Segundo Garp (1982), Um Hotel Muito Louco (1984) e Regras da Vida (1999), pelo qual venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado.

Estréia hoje em Curitiba a mais recente – e, talvez, a mais interessante – transposição de um livro de Irving para a tela grande: o surpreendente Provocação. O filme, dirigido por Tod Williams, consegue encontrar o difícil equilíbrio entre drama e comédia, que caracteriza a obra bastante única do autor.

A trama do filme se desenha aos poucos, sem muita pressa. Jeff Bridges é o escritor e ilustrador de histórias Ted Cole, em profunda crise conjugal com a mulher, Marion (Kim Basinger, também em excelente forma), depois da morte trágica dos dois filhos mais velhos. Como têm uma filha pequena, Ruth (Elle Fanning, irmã de Dakota, de Guerra dos Mundos), eles têm de ao menos tentar manter um convívio pacífico.

A solução que o casal encontra para lidar com a situação é manter duas casas, uma na cidade e outra à beira-mar, onde se alternam para continuar dando um lar a Ruth, traumatizada pela perda dos irmãos. Essa situação, precária em sua essência, começa desmoronar quando Ted contrata como estagiário um estudante e aspirante a escritor chamado Eddie (Jon Foster). O jovem se envolve sexualmente com Marion e acelera o processo de esfacelamento da família Cole.

Tod Williams (do independente As Aventuras de Sebastian Cole) revela-se um habilidoso diretor de atores, capaz de buscar nuances normalmente ignorados pelo cinemão de indústria. Nas suas mãos, o trio de personagens principais jamais derrapa no maniqueísmo. São todos vítimas e culpados, de alguma forma. O roteiro, também assinado pelo cineasta, vence o desafio de não exagerar nas cores dramáticas da história e demonstra ousadia ao revelar o lado ridículo de algumas situações.

Erótico, engraçado e tocante, Provocação figurou nas listas norte-americanas de melhores produções de 2004. Merece ser incluído entre os filmes mais interessantes exibidos nas telas do Brasil este ano. GGGG

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