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Renoir foca fragilidades do pintor francês

Desenvoltura de Andrée (Chirsta Theret) faz contraste à doença que enrijece as articulações do artista (Michel Bouquet) | Divulgação
Desenvoltura de Andrée (Chirsta Theret) faz contraste à doença que enrijece as articulações do artista (Michel Bouquet) (Foto: Divulgação)

Adentrar os bastidores da criação artística é algo que fascina qualquer mortal. Renoir, em cartaz nos cinemas de Curitiba, propõe a entrada nesse mundo ao abrir as portas da intimidade de um dos mestres do impressionismo.

De modo diverso dos inúmeros documentários já feitos sobre o pintor francês Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) e o grupo que elaborou novos modos de representação nas artes na segunda metade do século 19, o filme dirigido por Gilles Bourdos busca outro viés, focaliza o homem em vez do mito, suas fragilidades.

A intenção parece ser deslocá-lo da posição intacta de monumento para melhor reapreendê-lo. Para isso, Renoir aborda a história pelo final, quando a modernidade em geral já havia se imposto e as últimas forças do artista, agora velho, podiam se concentrar na conclusão da obra.

Em contraste com essa força madura, o filme coloca em cena dois personagens jovens cuja inquietação e romantismo deslocam o centro de gravidade para fora da única perspectiva do Renoir pai (Michel Bouquet).

O primeiro é Andrée (Christa Theret), garota desenvolta cujo movimento abre o filme, quando bate à porta da velha casa no sul da França e se oferece como modelo. Ao focalizar a postura despreocupada da jovem, a liberalidade com que ela mostra o corpo, desrespeita regras da casa e confronta o grupo servil de mulheres que cerca o velho pintor, o filme põe em cena uma força de rejuvenescimento oposta à degradação física representada na doença que enrijece as articulações do artista.

O segundo é Jean (Vincent Rottiers), filho do meio de Renoir e futuro artista incontornável da história do cinema. Aqui, por enquanto, ele é apenas um jovem cuja particularidade ainda não se firmou perante a glória do pai. Ao se apaixonar por Andrée, Jean exerce uma força contra aquela figura central, pois rouba do pai um derradeiro objeto de desejo.

Graças a esses focos de conflito, o filme investe em outras direções, assume o risco de se interessar por outros temas que não a respeitável "arte". Não deixa de ser válido e salutar para um gênero de formato tão previsível como a cinebiografia.

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