
Família Vende Tudo foi um dos grandes premiados na última edição do festival Cine PE, realizado entre abril e maio deste ano em Recife. Venceu nas categorias de melhor ator (Caco Ciocler), atriz (Marisol Ribeiro), ator coadjuvante (Robson Nunes) e direção de arte, assinada por Fábio Goldfarb e pelo cineasta Alain Fresnot, também a cargo da direção.
O grande número de troféus concedidos ao longa foi questionado por parte da imprensa, que considerou o filme "preconceituoso". Em entrevista à Gazeta do Povo, o realizador paulista, diretor dos longas Ed Mort (1998) e Desmundo (2002), disse que seu filme, apesar de trazer uma visão crítica de uma família da classe D, também não abre mão de fazê-lo "com ternura e compaixão". "Não é um filme moralista, paternalista, mas os personagens não são apenas oportunistas e sem escrúpulos são mostrados como seres humanos disfuncionais."
Fresnot salientou, no entanto, que não pretendia levar à tela uma comédia inofensiva, alienada. "É um filme leve, mas que também provoca, faz pensar." Assim como carrega nas cores da amoralidade e da ambição que marca a família de Ariclenes (Lima Duarte) e Cida (Vera Holtz), o roteiro tem outros alvos: busca ironizar a indústria cultural popular, capaz de produzir artistas de qualidade muito duvidosa, como o cantor brega Ivan Cláudio, e até mesmo a vertente religiosa do pentecostalismo, também retratada de forma bastante irônica em Família Vende Tudo. "A cultura de massa que se faz hoje no país é muito ruim, tudo é pré-fabricado, medíocre mesmo. E quanto aos evangélicos, eu até entendo o que eles vão buscar nessas religiões, redenção, estabilidade, mas há também um outro lado, né?"
Sobre a escolha inusitada, e muito bem-sucedida, de Caco Ciocler para o papel de um astro da música brega, personagem atípico na carreira do ator, Fresnot disse que confiava no talento do artista, com quem já havia trabalhado em Desmundo. "Achei que ele tinha o físico apropriado e a capacidade de construir o personagem. Até aprender a cantar e dançar, ele aprendeu."



