Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Visuais

Retratos de um mundo caótico

Exposição que abre hoje no MON traz retrospectiva do fotógrafo Roger Ballen, famoso pelas imagens que retratam a falência social e o grotesco

Roger Ballen: mistura de realidade e ficção em situações grotescas se tornou a sua marca | Roger Ballen/Reprodução
Roger Ballen: mistura de realidade e ficção em situações grotescas se tornou a sua marca (Foto: Roger Ballen/Reprodução)
Roger Ballen: mistura de realidade e ficção em situações grotescas se tornou a sua marca |

1 de 2

Roger Ballen: mistura de realidade e ficção em situações grotescas se tornou a sua marca

 |

2 de 2

Na década de 1970, o fotógrafo nova-iorquino Roger Ballen decidiu se mudar para Johannesburgo, maior cidade da África do Sul, após uma viagem de aproximadamente cinco anos pelo continente africano, onde aprendeu o ofício, de forma autodidata. Anos depois, uma de suas séries, Platteland, o projetou mundialmente. As fotografias lançadas em 1994, mesmo ano da eleição do líder Nelson Mandela – falecido recentemente –, retratavam comunidades brancas empobrecidas do interior da África e irritaram setores ainda ligados ao Apartheid. Ballen foi preso ao denunciar uma realidade que o regime de segregação racial não queria mostrar. Uma retrospectiva de sua obra, inclusive trabalhos desta série, abre hoje, às 19 horas, no Museu Oscar Niemeyer (MON).

Roger Ballen: Trans­­figurações, fotografias 1968-2012 reúne 113 imagens do artista, desde 1968, quando começou a fotografar de forma despretensiosa, até sua pesquisa mais recente – é a primeira individual do artista na América Latina. A exposição, que é itinerante, esteve em cartaz no Museu de Arte Moderna (MAM), do Rio de Janeiro, no ano passado, e depois de Curitiba seguirá para o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (ainda sem data de estreia definida).

"No início, a fotografia de Ballen era de rua, sem temática definida. Depois, ele passa de um trabalho totalmente intuitivo para um documental", explica a curadora da exposição, Daniela Géo, que é doutora em fotografia pela universidade francesa Sorbonne. Casas típicas da área rural da África do Sul e figuras humanas fora do padrão de beleza e das proporções ditas "ideais" são outras temáticas recorrentes na obra do fotógrafo, o que Daniela define como "estética do grotesco". "Muitas de suas fotos são a representação da falência do modelo social", ressalta.

Essa característica, de acordo com Daniela, ficou ainda mais presente após a série Outland, em que Ballen misturou situações caóticas de realidade e ficção. "Quando ele é reconhecido internacionalmente, ao invés de seguir a linha documental, ele resolve dar uma guinada e misturar essas duas vertentes. Se tornou a marca do Roger." Hoje, as fotografias de Ballen estão cada vez mais abstratas e distantes das pessoas. "Vamos ver mais representações da figura humana, através de recortes, estatuetas e objetos", diz a curadora.

Outras exposições

Junto com a individual de Ballen, o MON inaugura hoje mais duas mostras. Salvando Aparências traz uma instalação de formas recortadas em MDF e iluminadas por lâmpadas incandescentes, de autoria do artista paranaense João Osorio Bueno Brzezinski. Anjo e Boneco é a nova exposição do artista paulista Nuno Ramos. Uma série de desenhos em larga escala, feitos em guache e carvão, faz parte da exposição, que traz ainda um quadro de grandes dimensões produzido especificamente para a temporada no MON. No mesmo dia, antes da abertura, às 18h15, Nuno bate papo com o público no miniauditório do museu (com capacidade para 60 pessoas).

CAM recebe 4.ª edição do Salão Nacional de Cerâmica

A partir de hoje, a Casa Andrade Muricy (CAM) recebe o trabalho de 30 artistas selecionados para o 4º Salão Nacional de Cerâmica, com 56 obras inéditas que representam a produção contemporânea da cerâmica brasileira.

Durante o mês passado, uma comissão formada pela pesquisadora de Artes Plásticas Angela Ancora da Luz, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e crítica de Arte, e pelas escultoras e ceramistas Ligia Borba e Maria Cheung, selecionou os participantes, entre 200 inscritos. Artistas como o curitibano Juan Parada e Regina Costacurta estarão com obras na CAM, além dos dois primeiros colocados (que receberam um prêmio de R$ 10 mil e R$ 5 mil, respectivamente), Andrey Zignnatto, de São Paulo, e Alexandra Eckert, de Porto Alegre. Uma sala específica para a ceramista Lirdi Jorge, responsável pela formação de gerações de artistas dedicados à técnica em Curitiba, também é um dos destaques do salão.

Segundo a produtora executiva da mostra, Rebeca Gavião Pinheiro, o júri se baseou na poética e na estética das obras selecionadas, que estarão expostas na Casa Andrade Muricy. No entanto, o principal objetivo do evento é dar mais visibilidade para a cerâmica, que, segundo Rebeca, ainda não está muito inserida no contexto das artes visuais. "A ideia de que a cerâmica é algo somente decorativo ou utilitário, e não artístico, está mudando, e o nosso propósito é mostrar justamente isso."

Em março, no fim do salão, um catálogo com todos os artistas selecionados será lançado na CAM.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.