
Ninguém ousaria convidar Richard Nixon e Harvey Milk para a mesma festa. O irônico é que os dois, políticos de facções diametralmente opostas em vida, foram unidos, depois da morte, pelo destino. Ou melhor, por Hollywood, que resolveu lançar, quase simultaneamente, novas produções que têm as duas figuras históricas como personagens centrais.
O ex-presidente republicano, que renunciou em 1974, depois do escândalo Watergate, retorna à cena como um dos protagonistas do drama Frost/Nixon, de Ron Howard (de Uma Mente Brilhante). Já o ex-prefeito de São Francisco, primeiro homem assumidamente gay a ser eleito a um cargo público nos EUA, é tema central de Milk, novo filme de Gus Van Sant (de Gênio Indomável e Elefante)
Oscar
Tanto Frank Langella (Boa Noite, e Boa Sorte), que vive Nixon, quanto Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos), protagonista de Milk, vêm sendo apontados como favoritos a indicações ao Oscar de melhor ator, o que torna a coincidência ainda mais curiosa. É como se, em um ano de eleição presidencial nos Estados Unidos, os dois políticos estivessem participando de uma espécie de "pleito" paralelo.
Frost/Nixon, cuja estréia no Brasil está prevista para o início de 2009, não tem cunho biográfico o diretor Oliver Stone já filmou a vida do ex-presidente em Nixon (1995), estrelado por Anthony Hopkins. O mais recente longa de Ron Howard enfoca entrevista concedida por ele ao jornalista britânco David Frost (Michael Sheen, de A Rainha). É baseado na peça de teatro homônima de Peter Morgan, cuja montagem nova-iorquina deu a Langella o Tony (prêmio da Broadway).
A ação de Frost/Nixon se desenrola em 1977 e retrata, em detalhes, os bastidores de um embate que transcende o jornalismo. De um lado, Nixon tenta resgatar sua dignidade, maculada pelo caso Watergate escândalo político que envolveu a instalação de escutas no quartel-general do Partido Democrata em Washington D. C., a mando dos republicanos, com o conhecimento e a aprovação do presidente; Do outro lado está Frost, um ambicioso jornalista em busca da "grande oportunidade" de fazer a entrevista de sua vida.
Militância
A história "do prefeito gay de São Francisco" já foi contada antes pelo documentário The Times of Harvey Milk (1984), vencedor do Oscar de melhor documentário. Há mais 20 anos, no entanto, vários produtores tentavam transformar em drama ficcional a história do nova-iorquino de nascimento e californiano por adoção que se tornou figura-chave na história da militância gay americana. Gus Van Sant conseguiu.
Morto a tiros, em 1978, por um ex-funcionário da prefeitura de São Francisco Dan White (Josh Broslin, de Onde os Fracos não Têm Vez), Milk não é retratado apenas como homem público pelo longa-metragem que leva seu nome. Além de sua trajetória política, a produção tenta problematizá-lo, discutindo a complexa personalidade do militante, seus dramas pessoais e sua vida amorosa. É, nas palavras do diretor, "um perfil íntimo" e, sobretudo, "uma história profundamente americana".
No elenco, estão, além de Penn, James Franco (de Homem-Aranha), Emile Hirsch (Na Natureza Selvagem) e o mexicano Diego Luna (E Sua Mãe Também). Milk deve chegar ao Brasil também no primeiro semestre do ano que vem.




