
Cristiane Bouger, o "caule" do coletivo Couve-Flor em Nova Iorque, realizou uma performance que pode causar nojo ou repulsa aos mais convencionais. Em Red A Hundred 40/Vermelho 140, de 2003, ela bebe o próprio fluxo menstrual diluído em água. A videoperformance foi influenciada por uma vivência em uma comunidade alternativa no Vale do Epuyen, na Patagônia argentina. Ali, as mulheres construíram um lugar de repouso e meditação na floresta a qual chamam de "Vale da Lua", para onde se retiram, especialmente quando menstruam. Nesse recanto, elas dissolvem o sangue menstrual em uma bacia d'água e jogam o sangue diluído nas plantas secas da região, com a intenção de fortalecê-las para o renascimento e manter a ligação do feminino com a terra.
"Essa experiência foi significativa no meu processo interno. De alguma maneira, sempre me incomodei com minha menstruação e entendi, naquele momento, que, de certa forma, a 'sujeira' ou o 'desconforto' que vemos no que é o ciclo básico do corpo feminino, é uma construção também cultural, religiosa e mercadológica. Quando diluo a menstruação, minha questão básica é 'Que planta seca estou curando em mim?'. Trata-se, portanto, da tentativa de me curar de informações da cultura que não quero continuar perpetuando no decorrer da minha existência", explica a artista.



