
A essência da produção de Worpswede diante do público curitibano. É isso que o Museu Oscar Niemeyer (MON) disponibiliza a partir deste sábado (13) e até 15 de fevereiro de 2009. O vilarejo situado ao norte da Alemanha, próximo à cidade de Bremen, aglutinou um grupo de artistas no final do século 19, "acontecimento" que despertou a curiosidade até de personalidades, a exemplo do poeta Rainer Maria Rilke, que chegou a residir na região para respirar naquela atmosfera.
Entre nuances de um romantismo tardio e traços de um (então) nascente modernismo, o grupo de artistas plásticos teve como expoente a pintora e gravurista Paula Modersohn-Becker (1876-1907), além de nomes como Otto Modersohn (o marido de Paula), Fritz Mackensen, Fritz Overbeck, Heinrich Vogeler e Hans am Ende. Nas paredes do MON (na Sala Guido Viaro), pinturas e gravuras de todos eles a exposição já passou por São Paulo, Porto Alegre e, depois de Curitiba, segue rumo a Brasília (viabilizada por meio do Instituto Goethe).
Protagonista
Paula Modersohn-Becker, apesar de ter pulsado durante apenas 31 anos, produziu intensamente. Mas não foi reconhecida em vida. Artigo publicado recentemente na revista alemã Der Spiegel observa que ela foi subestimada em vida. Ainda no século 19, um crítico chegou a afirmar que a produção de Paula não passava de uma "grande besteira". Sistematicamente hostilizada, nunca expôs com regularidade as suas realizações tanto que após a sua morte, amigos e contemporâneos se surpreenderam com a quantidade (700 peças) e, sobretudo, com a qualidade das pinturas, além das gravuras da artista.
Em determinado momento, Worpswede pareceu diminuta demais para Paula. Entre uma ida e outra volta a Paris, ela estabeleceu certa interlocução com gigantes como Auguste Rodin e Paul Cézanne. O diálogo, como não poderia deixar de ser, interferiu na visão de mundo de quem recriaria paisagens bucólicas, nus e figuras humanas em sintonia com o zeitgeist do nascente século 20. "Paula Modersohn-Becker é uma das mais expressivas artistas alemãs da contemporaneidade. Pena que morreu sem saborear o gosto do reconhecimento", comenta Claudia Römmelt, diretora do Instituto Goethe de Curitiba.
"Que pena", teriam sido as últimas palavras de Paula injustiçada enquanto viva, cada vez mais valorizada na passagem do tempo.
Serviço
Paula Modersohn-Becker e os artistas de Worpswede. Museu Oscar Neimeyer (R. Marechal Hermes, 999). Abertura: 13 de setembro (sábado), às 11 horas. Até 15 de fevereiro. De terça a domingo, das 10 às 18 horas. R$ 4 e R$ 2 (estudantes). Mais informações (41) 3350-4400.






