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Aventura

Rush retrata ano mágico da F-1

Filme narra o combate entre Niki Lauda e James Hunt, que disputaram o Campeonato Mundial de 1976

Hunt (Chris Hemsworth) e Lauda (Daniel Brühl): disputa ponto a ponto pelo título da F-1 | Divulgação
Hunt (Chris Hemsworth) e Lauda (Daniel Brühl): disputa ponto a ponto pelo título da F-1 (Foto: Divulgação)

O torcedor fanático de um esporte é muito exigente com o nível de detalhamento de obras que retratem o objeto de sua paixão, mas, no caso da Fórmula 1 (F-1), esse perfeccionismo dos fãs é tão forte quanto o dos pilotos que buscam cada milésimo de segundo para conseguirem a pole position.

Apenas dois filmes são considerados representativos para os apaixonados por automobilismo: Grand Prix (1966), com James Garner, e Le Mans (1971), com Steve McQueen, sobre a famosa prova de 24 horas de duração e aclamado por suas cenas realistas das corridas.

Agora, quatro décadas após este último clássico, os fãs podem incluir mais um filme em sua lista de favoritos. Rush – No Limite da Emoção, que estreia hoje nos cinemas, agrada ao fã de velocidade, mas também entretem quem vai ao cinema atrás de uma boa história (veja o serviço completo no Guia Gazeta do Povo).

O longa retrata uma das temporadas mais dramáticas da história da F-1, quando o austríaco Niki Lauda e o inglês James Hunt batalharam ponto por ponto pelo título de campeão mundial de 1976.

Nos anos 1970, como define Lauda no próprio filme, havia uma chance de 20% de o piloto morrer a cada vez que entrava no carro. Não é exagero, e sim estatística de um personagem calculista: de 1970 a 1975, oito pilotos morreram em GPs ou testes da F-1.

Por isso, a cada interrupção no treino ou acidente durante a corrida, a tensão estava no ar – Rush retrata com perfeição esse clima, mostrando a pressão psicológica e a fragilidade por trás da suposta áurea inabalável de herói do piloto. A reconstituição das cenas, incluindo a do dramático acidente de Lauda em Nurburgring (Alemanha), é impressionante. O austríaco viu a morte de perto, chegando inclusive a receber a extrema unção.

O que se passa após o acidente é um dos maiores méritos do filme. Para o fã de F-1, mesmo já sabendo como a história se encerrará na disputa de título, a narrativa é conduzida de forma sublime, sem se levar pelo lado fácil de tornar o calculista Lauda (Daniel Brühl) mais "humano" ou o "fútil" Hunt (Chris Hemsworth) como um vilão a ser combatido.

Ron Howard mostra a rivalidade de pilotos de personalidades tão distintas de maneira bastante equilibrada. Há momentos no filme em que você "torce" por Lauda, mas em outros você muda de lado e quer que Hunt se dê bem.

Para quem é fã de F-1, valeu a espera de 40 anos. Para quem não é apaixonado pelo esporte, as duas horas de filme podem ajudar a entender porque milhares de pessoas, em mais de 150 países, passam algumas horas assistindo a corridas a cada domingo. GGGG

Rodrigo França é colunista de F-1 da Gazeta do Povo.

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