
O jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, revelou ontem, em sua coluna "Gente Boa", no jornal O Globo, que a imagem de Santa Bárbara do altar principal da Fortaleza de Santa Cruz em Jurujuba, Niterói, passou por um restauro polêmico. Segundo o jornalista, a santa virou uma autêntica Barbie depois de restaurada. A imagem tem 1,73 metros de altura, data do início do século 19 e é feita em madeira de fatura portuguesa.
A descoberta foi do historiador Milton Teixeira. Alguém deve ter achado a imagem "velha", talvez feia, e mandou repintá-la. De acordo com a coluna, a pintura original das vestes, que era de um brocado digno, segundo Milton Teixeira, também foi retocada. Foi trocada por algo que se assemelha a uma camisola de pano comprado no mercado popular da Saara, no Centro do Rio de Janeiro.
"Eu acompanho esse imagem há 20 anos, é uma obra lindíssima que deve datar de 1810 e estava em bom estado. Isso que fizeram foi um crime, descaracterizaram uma peça histórica, que, no máximo, precisava de uma limpeza", explicou o historiador Milton Teixeira.
A Fortaleza de Santa Cruz foi construída no final do século 16 e tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1939. Todos os 7.153 quadros de edificações, incluindo a capela de Santa Bárbara, onde fica a santa, estão protegidos.
Origem
Reza a lenda que a santa, atualmente no forte, foi parar lá por engano. Segundo a história, Santa Bárbara deveria ser transferida para uma igreja no Rio, mas nas três tentativas de cruzar a Baía de Guanabara (séculos antes da Ponte Rio-Niterói ser construída), o mar ficou revolto e não foi possível fazer a travessia. Com isso, a estátua acabou ficando pela fortaleza. Os mais devotos dizem que a santa protetora da artilharia "escolheu" proteger Niterói.
O historiador Milton Teixeira acredita que essa história não passe de uma lenda, e que a santa tenha sido levada para lá por Dom João no começo do século 19. "Essa história não tem nenhuma comprovação histórica. O mais provável é que a santa tenha sido levada pelo próprio Dom João para lá."
Igreja passa a cobrar visita na Espanha
Em setembro, uma igreja da pequena cidade de Borja, na Espanha, passou a cobrar ingresso para visitantes que quisessem ver a a obra "Ecce Homo", do pintor Elias Garcia Martinez. O afresco do século 19 foi "restaurado", pela devota octogenária Cecília Giménez, que acabou por deformar a imagem. A notícia causou tristeza entre restauradores e virou a alegria das redes sociais. O Cristo de Borja serviu de inspiração para internautas, que soltaram a imaginação nas mais variadas versões para a pintura.
Motivados pelo impressionante aumento de visitação ao santuário que costumava receber de 300 a 400 visitantes no verão e, agora, em pouco mais de três semanas de setembro, registrou a visita de 30 mil pessoas , os administradores locais resolveram passar a cobrar entrada de 1 euro por adulto. O objetivo é arrecadar fundos para o santuário, embora Mario Arilla, presidente da Fundação Sancti Spiritus, ainda não saiba exatamente em que vai usar a verba.
Diante da novidade, advogados de Cecília estudam a possibilidade de cobrar direitos autorais. A fundação também consultou advogados, mas sua pretensão não é entrar em litígio, mas sim estudar o registro de marcas. Várias empresas estariam interessadas em utilizar a imagem em peças publicitárias.




