
Não sei se mais, mas com certeza tanto quanto. Seu Jorge se divertiu no palco no mesmo clima de alegria e empolgação que o público que o assistiu e lotou o Teatro Positivo neste sábado (12) em Curitiba, durante o show baseado no CD Músicas para Churrasco Volume 1.
Fazendo jus ao estilo nada convencional do artista, a apresentação começou quase que dos avessos. Quando abriram-se as cortinas, Seu Jorge praticamente se escondia atrás de óculos, boné, uma blusa por cima de uma camisa aparecendo, calça azul sem combinar e tênis no pé. A música de abertura do show causou tanto estranhamento quanto a imagem do cantor. Uma instrumental longa e ritmada, em que o astro da noite acompanhou tocando flauta transversal mais uma surpresa logo de cara.
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Mas tudo isso foi só para começar diferente e causar coisa que o cara sabe fazer como ninguém. Já na segunda música, Seu Jorge soltou o vozeirão grave e fez todo o teatro sorrir com a deliciosa "Mina do Condomínio". Emendada a essa, tocou "Chega no Suíngue", a música que, sem dúvida, foi uma das mais divertidas de se assistir. Esbanjando simpatia, talento e ritmo, a banda toda fez coreografias, passinhos e solos musicais.
Já sem óculos, sem boné e blusa, o músico abriu o sorriso, jogou charme,deu alguns goles na cervejinha (que repousa sempre ao seu lado) e mostrou toda sua extensão vocal nas baladinhas mais lentas. Depois de uma linda introdução de cavaquinho, ele chegou de mansinho, mais introspectivo e fez a multidão se arrepiar com "Tive Razão", "Quem não quer sou eu" e a lindíssima "Seu Olhar" esta última uma maravilhosa surpresa para os fãs, já que não é uma das faixas do CD que guiava o repertório da noite.
Para terminar esse momento mais calmo do show, Seu Jorge lembrou (se é que alguém tinha esquecido) que também tem talento de sobra como ator. Em uma espécie de declamação interpretada, o músico recitou "Negro Drama", dos Racionais MC's.
Dado o recado sobre os negros, a luta na favela e na inclusão socioeconômica, era hora de voltar a dançar e se divertir. Depois de brincar de maestro com a banda e mostrar o domínio de palco, de música e de público, Seu Jorge disparou com grandes e animados sucessos.
Com o violão em punho, ele começou com "Carolina". Neste momento, se já estava difícil se controlar comportadamente nas cadeiras do teatro, a batida envolvente da música fez com que isso fosse ainda mais difícil. Mas a galera só se liberou dos assentos e sambou liberadamente na música "Doida", quando o cantor ao ver que os seguranças estavam impedindo algumas pessoas de levantarem, dançarem ou se aproximarem do palco --parou a música no meio e soltou a sentença: "Não, nada disso! Aqui vocês podem dançar à vontade. Do jeito e a hora que quiserem!"
Não precisou falar duas vezes. Nessa hora, a multidão se colocou toda de pé e fez coro em "Amiga da Minha Mulher", "Mas que nada", "Alma de Guerreiro" e "Burguesinha". Antes do bis, o cantor agradeceu a presença de todos e disse que Curitiba -- que estava no top 5 de seus melhores shows tinha repetido a maravilhosa recepção.
Para quem acreditava que todas as grandes canções do artista tinham sido embaladas, ele ainda presenteou a plateia com "É isso aí" e "Pretinha".
Bastidores
Aqui seria o ponto final da resenha opinativa de qualquer show. Mas não no caso de Seu Jorge, que é bem do tipo que nada acaba quando termina. Depois do fim da apresentação de duas horas, ele faz uma espécie de "festinha particular". Momento em que recebe todos (TODOS!) os fãs dispostos a vê-lo no camarim.
Além de recepcionar um a um com um abraço apertado, beijos e um sorrisão no rosto, o cantor oferece sua cerveja (ele mesmo fabrica a Karavelle), aperitivos para quem quiser beliscar alguma coisa e claro, boa música. As poucas paradas que Seu Jorge faz, entre milhões de abraços, autógrafos e fotos, é para ir colocar uma nova seleção de músicas na mesa de som.
Vale dizer que a imprensa sofre um bocado nesse método. A espera para um bate-papo rápido com o artista levou longas duas horas e meia. Mas fica difícil até de reclamar, porque é bonito de ver a atenção dele com os fãs e, além disso, é admiravelmente impressionante a simpatia de todos da banda e equipe que o cercam. Você acaba que fica lá, sorrindo, mesmo tendo que esperar por tantas horas. Salve Jorge!











