Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Clássica

Sinfônica comemora 30 anos em concerto

Apresentação no domingo de manhã traz o maestro brasileiro radicado na Polônia José Maria Florêncio e o oboísta criado em Curitiba Alex Klein

Orquestra Sinfônica do Paraná recebe maestro que poderia ter trabalhado entre os músicos do estado se não tivesse recebido bolsa da Europa. | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Orquestra Sinfônica do Paraná recebe maestro que poderia ter trabalhado entre os músicos do estado se não tivesse recebido bolsa da Europa. (Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo)

A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) faz neste domingo (24), às 10h30, no Teatro Guaíra, o primeiro concerto comemorativo aos 30 anos de sua fundação. O grupo vai se apresentar sob a regência de José Maria Florêncio, prestigiado maestro e violista brasileiro radicado na Polônia que chegou a enviar sua ficha para o concurso da OSP em 1985.

“Eu poderia ter sido músico desta orquestra, não fosse o fato de ter recebido uma bolsa para estudar na Europa, e poderia estar comemorando com eles hoje. Mas estou como regente convidado, o que é muito interessante”, observa Florêncio. “Isso fecha um determinado ciclo da minha experiência musical profissional. Tem um significado pessoal. Isso me alegra muito e me liga à ideia da orquestra”, diz.

Programa

Florêncio explica que o programa do concerto propõe um diálogo tanto com a sua história quanto com a cultura de Curitiba.Daí a escolha de “Polonaise”, da ópera Eugene Onegin, Op.24, do russo Tchaikovsky (1840-1893). “Sou polonês adotado”, explica. “Iniciamos o concerto declarando uma determinada identidade”, diz.

Já a primeira sinfonia do finlandês Jean Sibelius (1865-1957) remete a outro tipo de afeto. “É uma obra neorromântica, cuja beleza e as cores são muito interessantes par ao público brasileiro. É algo que toca o coração e ao mesmo tempo mostra um tipo de vivência cultural muito diferente”, explica Florêncio. “A Finlândia é um país bem do norte, bem frio, escuro, onde as pessoas tendem a ser bem reservadas. Mas é um país caloroso por dentro. A gente ouve isso na música de Sibelius. É diferente da alma eslava de Tchaikovsky, compositor em que Sibelius se espelhou em sua primeira sinfonia”, diz. “São obras de um conteúdo dramático e filosófico muito grande, muito forte. É algo que realmente vai manter o público pregado à cadeira, de olhos e ouvidos bem abertos e coração dirigido”.

Concerto

Antes, ainda na primeira parte do programa, a OSP toca o Concerto para Oboé e Pequena Orquestra, de Richard Strauss (1864-1949), com o oboísta Alex Klein – músico nascido no Rio Grande do Sul e criado em Curitiba, onde integrou a Orquestra Juvenil da UFPR sob regência da maestrina Hildegard Sobol na infância e juventude, e onde dirigiu a Oficina de Música entre 2002 e 2005.

O concerto de Strauss rendeu a Klein o único Grammy de música clássica para um músico brasileiro, em 2002, quando foi premiado pela sua gravação da obra com a Orquestra Sinfônica de Chicago sob regência de Daniel Barenboim.

“É uma obra maravilhosa, do final da vida do compositor. E que me acompanha a vida inteira, traz uma vida inteira de experiências”, conta Klein, para quem a interpretação premiada do concerto registra uma combinação única, que não poderia ser reproduzida. “Nossa visão artística muda de acordo com o tempo. É impossível apresentar o que eu fazia aos 19 anos. Ou mesmo nesta gravação do Grammy, há 15 anos. Vamos apresentar algo diferente”, diz.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.