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Romance

Snuff tem desfecho redentor

Palahniuk é autor de Clube da Luta | Divulgação
Palahniuk é autor de Clube da Luta (Foto: Divulgação)

Chuck Palahniuk é desses escritores que parece sofrer um complexo de transgressão. Desde que seu Clube da Luta virou um ícone subversivo ao ser filmado por David Fincher, o escritor norte-americano permanece associado à literatura de fundo de mochila, aquela que precisa ser consumida longe dos olhos reprovadores da sociedade (nesta última frase, as aspas estão implícitas).

Em Snuff, seu mais recente romance lançado no Brasil, Palahniuk ensaia um primeiro passo – lento e silencioso – fora da arte maldita. Nada disso é perceptível nas linhas gerais do enredo. Mas, à medida que o leitor mergulha no texto, vai sendo empurrado para um desfecho convencional e redentor.

O título se refere a um tipo de filme que exibe cenas reais de morte. Na trama de Palahniuk, a ação transcorre durante a produção de um derivativo desse gênero, o "Pornosnuff". Cassie Wright, uma atriz pornô em decadência, almeja voltar ao estrelato quebrando o recorde mundial de sexo coletivo. Em seu filme definitivo, ela se propõe a contracenar com seiscentos atores sucessivamente. Toda a ação do livro transcorre na sala de espera do estúdio, onde as centenas de coadjuvantes esperam pelo momento de entrar em cena.

A voz narrativa é alternada entre quatro personagens: Sr. 600, um ator pornô igualmente decadente que, no passado, dividiu glórias com a estrela principal; Sr. 72, um pós-adolescente de motivos insuspeitos; Sr. 137, um fã obcecado; e Sheila, a assistente de direção responsável, entre outras coisas, por organizar a ordem de entrada no set.

A partir deste início aberto, o enredo converge rapidamente para a relação comum dessas quatro pessoas com a atriz deitada na cama da sala ao lado. Apenas os comentários sobre os bastidores da indústria pornô atrasam o desfecho, porém, é de onde surgem os momentos mais divertidos. Os títulos de filmes adultos, que fazem paródia ao cinema convencional, se perdem na tradução. Mas a maneira como o cinema pornô descreve a si mesmo é tragicômica. GGG1/2

Serviço:

Snuff, de Chuck Palahniuk. Tradução de Paulo Reis. Rocco, 208 págs., R$ 32.

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