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Tentando a sorte em Hollywood

Há três anos em Los Angeles, o curitibano Marcello Larsen já participou de mais de 100 testes e conquistou papéis em pequenas produções e atuar como figurante em seriados

Marcello Larsen já atuou nos seriados CSI Miami e No Ordinary Family | Divulgação
Marcello Larsen já atuou nos seriados CSI Miami e No Ordinary Family (Foto: Divulgação)

Que ator ou atriz não sonha em brilhar em Hollywood? Aparecer nas telas do mundo inteiro, ficar rico e famoso, quem sabe disputar (e ganhar) um Oscar... Verdade seja dita, é um sonho a anos-luz de distância da grande maioria dos mortais. Se você for brasileiro, então, o sonho praticamente vira delírio – a julgar pela escassa e marginal representação tupiniquim na Meca do cinema, que inclui Sônia Braga, a sobrinha dela, Alice Braga, e Rodrigo Santoro.

VÍDEO: Assista a um curta-metragem estrelado por Marcello Larsen

Apesar desse cenário desanimador, um aspirante a ator curitibano está há três anos ralando para tentar fazer cinema em Hollywood: Marcello Larsen, um rapagão de 29 anos, 1,80m e pinta de modelo, for­­­mado em Administração, que em 2008 decidiu abrir mão da boa vida que levava na casa dos pais e do trabalho nas empresas da família para dar a cara a tapa em Los Angeles. "Se eu soubesse o que ia passar, acho que nunca teria ido", resumiu Marcello à Gazeta do Povo. "A rapadura é doce, mas não é mole!"

A oportunidade de tentar a sorte nos Estados Unidos surgiu quando ele já estava formado em Administração, trabalhando na construtora do pai, o engenheiro civil José Pedro Camargo da Silva: "Um dia ele chegou em casa depois de tomar umas e outras e me perguntou o que eu queria fazer da vida", lembra o jovem, que cursara um ano de Artes Cênicas na academia Cena Hum, de George Sada. "Eu disse que queria atuar nos Estados Unidos." Para grande surpresa dele, naquela mesma semana o pai começou a planejar a viagem – encontrar a melhor escola, um lugar para morar e providenciar o visto.

Dificuldades

Estabelecido em Los Angeles, a primeira barreira foi a língua: "atuar é reagir. Ou seja, quando você está em cena, não dá para ficar ‘caçando’ as palavras na memória... precisa de fluência total." Para enfrentar o problema do idioma, Marcello matriculou-se em cursos de inglês e de redução de sotaque, e passou a se comunicar apenas na língua inglesa – inclusive quando falava com os pais ou com amigos brasileiros.

Falando em amigos, não é muito fácil fazer amizades em Los Angeles. "Aquela cidade mexe com a cabeça da pessoa... até as meninas da sala de aula, que não disputam o mesmo perfil de ator que você, te encaram como um competidor.

A cidade também é cheia de espertalhões, que proliferam como moscas no mel ao redor dos mais ingênuos – seja para aplicar golpes ou para tentar uma aproximação sexual. "Noventa e nove por cento das pessoas que se aproximam de você, prometendo trabalho ou contatos, são vigaristas", alerta. "Chegaram a me prometer que eu seria o futuro Zorro! Mas, com o tempo, você aprende a separar o joio do trigo."

Para suportar a pressão, Marcello contou com a ajuda preciosa da família, que o mantém nos Estados Unidos a um custo aproximado de R$ 15 mil por mês: "Eu sempre disse a ele que é preciso estar preparado para o momento em que surgir a oportunidade, e tudo isso que ele está passando faz parte desse aprendizado", ensina o pai do ator, José Pedro.

O conselho tem sido seguido à risca: depois de concluir o mestrado no câmpus de Los Angeles da New York Film Academy e de ter encarado mais de 100 audições (tendo sido aprovado em aproximadamente 10% delas), Marcello conseguiu entrar na UCLA (Universidade da Califórnia) para estudar Produção e Direção; participou de curtas-metragens, comerciais e filmes independentes, e tem atuado como figurante em seriados importantes da tevê americana, como CSI Miami e No Ordinary Family.

Porém, para as duas melhores oportunidades que surgiram até agora – um convite para um filme da produtora de Brad Pitt e outro para uma grande produção da DreamWorks –, ele ainda não estava preparado: não possuía a SAG [Screen Actors Guild, uma espécie de ‘carteirinha da OAB’ dos atores de cinema]. "Mas eu consegui agora, este mês", comemora. "Tudo indica que 2012 será bem melhor, eu já tenho outros dois projetos engatilhados", avisa.

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